Publicações que viralizaram nas redes sociais no início de abril, incluindo plataformas como X, Facebook e Instagram, disseminaram a alegação falsa de que o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teria defendido o fim do sistema de pagamentos Pix durante um evento nos Estados Unidos. Essa informação, no entanto, foi categoricamente desmentida por checagens de fatos.
A desinformação ganhou força por meio de uma imagem adulterada, que mostrava o parlamentar vestindo um blazer com a estampa da bandeira dos Estados Unidos e uma caixa de texto sobreposta, atribuindo-lhe a declaração inverídica: “Flávio Bolsonaro: Vou acabar com o PIX para agradar Trump”. Além disso, um vídeo no YouTube também veiculou uma alegação semelhante, sugerindo que o senador teria “oferecido o PIX para os bancos americanos”.
A origem da desinformação sobre o Pix
A imagem que serviu de base para a montagem foi originalmente publicada em 29 de março no Instagram do jornal “Estado de Minas”. Na foto verdadeira, Flávio Bolsonaro aparece com um terno azul-marinho, e não com a estampa da bandeira americana. A legenda original da publicação fazia referência a um tema completamente diferente: “Flávio Bolsonaro: Brasil é solução para os EUA ter mineiras de terras raras”.
A assessoria do senador confirmou, via WhatsApp, que a imagem é uma montagem e que Flávio Bolsonaro não fez qualquer defesa pelo fim do Pix, já tendo se pronunciado sobre o assunto em suas redes sociais. A manipulação da imagem e a atribuição de falas falsas são táticas comuns em campanhas de desinformação, visando enganar o público e gerar engajamento.
Contexto político e a conferência nos Estados Unidos
As alegações falsas começaram a circular poucos dias após o senador ter discursado na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), um evento de destaque para conservadores realizado nos Estados Unidos em 28 de março. Durante sua participação, Flávio Bolsonaro fez um apelo por pressão diplomática para que as eleições de 2026 no Brasil refletissem “valores de origem americana”.
Curiosamente, o conteúdo mentiroso viralizou no mesmo dia em que a Casa Branca divulgou um relatório reiterando críticas ao Pix. Essa não foi a primeira vez que o sistema de pagamentos brasileiro esteve sob escrutínio do governo americano; em julho de 2025, uma investigação comercial foi aberta contra o Pix. A administração de Donald Trump avalia que o sistema pode prejudicar a concorrência de empresas de crédito dos EUA, o que adiciona uma camada de complexidade ao debate.
A verificação dos fatos e a fala verdadeira
A publicação original do jornal “Estado de Minas” não continha qualquer menção ao Pix. A legenda real detalhava a declaração do senador sobre o Brasil ser uma solução para os Estados Unidos reduzirem sua dependência da China em relação a minerais de terras raras, feita durante a conferência conservadora CPAC no Texas. O crédito da imagem verdadeira é de Leandro Lozada/AFP.
Em 8 de abril, o serviço de checagem AFP Checamos, parte da mesma agência de notícias detentora dos direitos da foto, publicou uma verificação que confirmou a manipulação da imagem, que inseriu a estampa da bandeira americana no terno do senador. Além disso, uma análise completa do discurso de Flávio Bolsonaro, disponível no canal oficial da CPAC no YouTube, revelou que não houve qualquer menção ao Pix em sua fala, reforçando a falsidade das alegações.
A disseminação de informações falsas, como a que envolveu o senador e o Pix, ressalta a importância da verificação de conteúdo em um cenário digital onde a manipulação de imagens e a atribuição de declarações inverídicas são frequentes. É fundamental que os usuários busquem fontes confiáveis e serviços de checagem para confirmar a veracidade das notícias que consomem e compartilham, contribuindo para um ambiente informacional mais preciso. Para mais informações sobre checagem de fatos, consulte fontes de verificação de notícias.
