O governo brasileiro está avaliando a possibilidade de adotar medidas de reciprocidade em resposta à ação do governo dos Estados Unidos contra um delegado da Polícia Federal. A situação escalou após o pedido americano para que o agente, que atuava como oficial de ligação em Washington, deixasse o país. Este movimento gerou uma série de reações por parte das autoridades brasileiras, incluindo o presidente da República, o Ministério das Relações Exteriores e a própria Polícia Federal.
A controvérsia centraliza-se na atuação do delegado brasileiro e sua suposta tentativa de influenciar processos de imigração americanos, especificamente em relação a um ex-deputado brasileiro. O incidente levanta questões sobre a cooperação internacional entre os dois países e os limites da atuação diplomática e policial em território estrangeiro.
Ação americana e a resposta brasileira
A manifestação do governo americano ocorreu publicamente, por meio de uma rede social, onde o gabinete para assuntos do hemisfério ocidental declarou que nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração dos EUA para contornar pedidos formais de extradição ou estender perseguições políticas em seu território. A postagem solicitou a saída do “funcionário brasileiro envolvido” por tal tentativa, sem, contudo, citar nomes.
Posteriormente, a embaixada americana em Brasília esclareceu que a referência era ao delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho. Desde março de 2023, o delegado desempenhava a função de oficial de ligação junto ao ICE, o serviço de imigração e controle de aduanas dos Estados Unidos. Embora não tenha havido uma expulsão formal ou comunicado oficial ao governo brasileiro, fontes da diplomacia americana indicaram que houve um pedido para que Marcelo Ivo deixasse o país por conta própria.
O papel do delegado e o caso Ramagem
A situação está intrinsecamente ligada ao caso do ex-deputado Alexandre Ramagem. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal e com o mandato cassado, Ramagem fugiu para os Estados Unidos após a condenação, sendo considerado foragido desde setembro de 2025. Na semana anterior ao incidente diplomático, Ramagem foi detido pelas autoridades americanas devido ao visto de turista vencido e à falta de passaporte válido.
A Polícia Federal brasileira havia afirmado, na ocasião, que a prisão de Ramagem resultava de um acordo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos, visando sua deportação. Contudo, dois dias após a detenção, a polícia imigratória americana liberou o ex-deputado sem pagamento de fiança, sob o argumento de que ele aguardava a análise de um pedido de asilo político. A função do delegado Marcelo Ivo nos EUA era temporária, com término previsto para agosto, e ele já está em processo de retorno ao Brasil.
Reações diplomáticas e a busca por esclarecimentos
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que acompanhava o presidente Lula em uma viagem à Europa, enfatizou que o trabalho do delegado nos Estados Unidos era amparado por um memorando de entendimento entre os dois países. O ministro classificou as acusações como infundadas. No Brasil, o Itamaraty convocou o representante do governo americano para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também parte da comitiva presidencial, reiterou que, até o momento, não houve comunicação oficial por parte dos Estados Unidos. Ele destacou que o delegado em questão atua como oficial de ligação há mais de dois anos, em uma atividade de cooperação policial semelhante às mantidas com diversos outros países. A expectativa é aguardar um esclarecimento formal antes de qualquer tomada de medida.
O posicionamento do presidente e a possibilidade de reciprocidade
O presidente Lula, ao ser informado sobre o incidente, declarou que aguarda mais informações detalhadas. No entanto, ele não descartou a possibilidade de adotar a reciprocidade, aplicando as mesmas medidas contra o correspondente americano no Brasil, caso se confirme um abuso por parte das autoridades americanas. “Nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personagens americanas querem ter com relação ao Brasil”, afirmou o presidente.
A postura do governo brasileiro sinaliza a intenção de defender a soberania e a integridade de seus agentes em missões internacionais, buscando um tratamento equitativo nas relações diplomáticas. A situação permanece em desenvolvimento, com as autoridades brasileiras aguardando os esclarecimentos formais para definir os próximos passos. Para mais informações sobre relações internacionais, visite o site do Ministério das Relações Exteriores.
