A cidade de Mogi das Cruzes testemunhou a abertura oficial da tradicional Festa do Divino Espírito Santo de 2026, um evento que anualmente mobiliza centenas de devotos e celebra séculos de fé e cultura local. A cerimônia, iniciada na quinta-feira, marcou o começo de uma programação intensa que se estende por diversos pontos da cidade, culminando na Praça Coronel Benedito de Almeida com a abertura do Império e o levantamento do mastro.
Este ano, a celebração é conduzida pelos festeiros Ricardo Medina Alvarez e Maria de Lourdes Pereira da Silva Medina, ao lado dos capitães-de-mastro Maurício de Lima Ramos e Tavane Prado Rodrigues Ramos. A Festa do Divino não é apenas um evento religioso, mas um pilar da identidade mogiana, fortalecendo laços comunitários e perpetuando uma herança cultural que atravessa gerações.
Início das celebrações e o cortejo inaugural
A programação de abertura teve início às 15h, na residência dos festeiros, localizada na Vila Suíssa. Ali, em um momento de grande simbolismo, Ricardo Medina Alvarez e Maria de Lourdes Pereira da Silva Medina, juntamente com os capitães-de-mastro, apresentaram as novas bandeiras que guiarão a edição de 2026 da festa. Este ato solene foi acompanhado por devotos e membros da congada Batalhão de Nossa Senhora, que contribuem para a riqueza cultural do evento.
Após a apresentação das bandeiras, o cortejo seguiu em direção à Prefeitura de Mogi das Cruzes. A jornada, permeada por cânticos e a devoção dos participantes, simboliza a união da comunidade em torno da fé no Espírito Santo.
A benção episcopal e a força da fé secular
Na sede do poder municipal, o grupo foi calorosamente recebido pelo bispo diocesano dom Pedro Luiz Stringhini e pela prefeita Mara Bertaiolli. O bispo, em um gesto de fé e comunhão, conduziu uma oração especial no subimpério, cuidadosamente montado no saguão da Prefeitura para a ocasião.
Dom Pedro Luiz Stringhini enfatizou a relevância histórica da Festa do Divino, que preserva mais de 400 anos de devoção em Mogi das Cruzes. Ele destacou que a celebração é a marca de Mogi, uma tradição que se fortalece a cada ano, trazendo as bênçãos de Deus para a nossa cidade. O bispo expressou ainda a esperança de que a festa promova alegria e paz, fortalecendo as famílias e apoiando os trabalhos sociais beneficiados pela quermesse.
Devoção familiar e a expectativa pela Procissão de Pentecostes
Entre os devotos presentes na oração na Prefeitura estava a professora Ângela Prestes, cuja família mantém uma profunda conexão com a Festa do Divino. Ela compartilhou que uma de suas irmãs atuou como rezadeira por 25 anos, falecendo há dois anos. Desde então, Ângela e suas outras irmãs honram essa tradição familiar, mantendo viva a chama da fé.
Para a professora, o ponto alto da celebração é a aguardada Procissão de Pentecostes. A gente sente realmente a presença do Divino Espírito Santo, afirmou, expressando o profundo significado espiritual que o evento tem para ela e para muitos outros fiéis.
Abertura oficial da Festa e a gratidão dos participantes
Após a passagem pela Prefeitura, o cortejo prosseguiu até a Praça Coronel Benedito de Almeida, onde ocorreu a solene abertura do Império e o tradicional levantamento do mastro. Este momento é um dos mais aguardados, simbolizando a concretização de um ano de preparativos e dedicação.
O festeiro Ricardo Medina Alvarez expressou sua imensa felicidade ao ver a participação dos devotos. A gente fez a festa pra eles, disse, emocionado com a presença e a fé demonstrada. A gratidão e a devoção também foram manifestadas por Maria Rodrigues Fernandez Sideratos, que acompanhou a abertura na praça. Nossa, eu amo o divino Espírito Santo. E acompanho a festa, vou nas alvoradas, às missas a noite. Gosto demais, declarou, evidenciando o profundo apego da comunidade à celebração.
A Festa do Divino Espírito Santo é reconhecida como uma das mais importantes manifestações culturais e religiosas do Brasil, com raízes históricas profundas em diversas regiões do país, como detalhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em seus registros sobre patrimônio imaterial.

