A tradicional Festa do Divino Espírito Santo em Mogi das Cruzes continua a ser um elo entre gerações, mantendo viva a fé e a cultura local. Após o falecimento de João Pires em 2022, que por quase três décadas liderou os cânticos da alvorada, o advogado Luiz Fernando Prado de Miranda, de 50 anos, assumiu a responsabilidade de dar continuidade a essa importante manifestação de devoção. A transição simboliza não apenas a passagem de uma tradição, mas também a profunda conexão entre as famílias e a comunidade, que se unem em torno da celebração.
Uma Herança de Fé e Devoção na Festa do Divino
A relação entre Luiz Fernando Prado de Miranda e João Pires era marcada por uma amizade e fé que se estendiam por gerações. A convivência começou na Igreja Nossa Senhora do Carmo, onde Pires e sua esposa, Ana, eram próximos dos pais de Miranda. Essa proximidade familiar se aprofundou ao longo dos anos, com as famílias crescendo juntas e compartilhando momentos significativos.
Além da amizade, um laço de parentesco também unia as famílias: o avô da esposa de Miranda era irmão de Pires. Essa conexão intrínseca à comunidade da Festa do Divino solidificou o caminho para que Miranda assumisse o legado. João Pires, um devoto exemplar, dedicou quase 30 anos aos cânticos da alvorada, tornando-se uma figura emblemática da celebração.
Após a partida de Pires, sua família entregou a Miranda um objeto de grande simbolismo: a boina que Pires usava durante o cortejo da alvorada para se proteger do frio. Esse gesto marcou a oficialização da sucessão, com a boina representando a continuidade de uma tradição que transcende o tempo e as pessoas.
A Voz que Conduz a Alvorada e o Compromisso Comunitário
Luiz Fernando Prado de Miranda, embora frequentasse a festa desde a infância, intensificou sua participação aos 16 anos. Ele se envolveu ativamente nas alvoradas, procissões e como voluntário na Entrada dos Palmitos, acompanhando de perto a dedicação de João Pires. Essa vivência preparou-o para o papel que hoje desempenha.
Atualmente, Miranda não só lidera os cânticos da alvorada, mas também contribui ativamente para a organização da celebração. Conciliar a rotina de advogado e professor universitário com as demandas da festa é um desafio que ele enfrenta com fé. Ele relata que o Espírito Santo lhe concede uma força especial durante esse período, e o cansaço só se manifesta após o término das festividades, tamanha a beleza e dignidade que percebe na fé dos devotos.
Suas lembranças da festa incluem momentos marcantes, como acompanhar a bandeira do Divino em hospitais e escolas, testemunhando a profundidade da devoção. A participação na Festa do Divino é um esforço familiar para Miranda, com sua esposa, filhos e sogros colaborando em diversas frentes, desde a organização até a distribuição de lembranças aos fiéis.
A Festa do Divino como Pilar Cultural e Religioso de Mogi
A Festa do Divino Espírito Santo é reconhecida como uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais de Mogi das Cruzes. Luiz Fernando Prado de Miranda enfatiza o privilégio de a cidade ser considerada a “morada do Divino Espírito Santo”, destacando a beleza e a profundidade da celebração.
Embora enraizada na tradição católica, a festa transcende as barreiras religiosas, acolhendo pessoas de diversas crenças. Miranda ressalta que a essência da festa reside na bondade e na fé no Divino, criando um ambiente de união e acolhimento para todos que participam. A continuidade de tradições como a alvorada, liderada por figuras como Miranda, garante que o espírito da Festa do Divino permaneça vibrante e relevante para as futuras gerações.

