Na véspera do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou um ato de campanha em São Paulo, marcando o último dia de mobilização nas ruas. Durante o evento, o candidato à reeleição adotou uma retórica contundente, afirmando que seu grupo político estava enfrentando um “chefe de quadrilha” e o “crime organizado”.
A declaração, feita em um comício que reuniu uma grande quantidade de apoiadores, buscou galvanizar a base eleitoral para a votação do dia seguinte. Lula, contudo, optou por não citar nominalmente o adversário político Flávio Bolsonaro (PL), a quem a fala parecia se referir em contexto de disputas anteriores.
Acusações de Lula: ‘Chefe de Quadrilha’ e Crime Organizado
Em seu discurso, o presidente Lula enfatizou a importância da eleição, descrevendo-a como uma escolha entre a democracia e a barbárie. “Vamos às urnas amanhã com muita tranquilidade sabendo o que está em jogo. De um lado a democracia e a soberania, do outro lado a barbárie e a corrupção. Do outro lado nós estamos trabalhando com um chefe de quadrilha. Estamos trabalhando contra crime organizado. Por isso, nós vamos precisar da força de vocês”, afirmou.
O presidente fez um apelo direto aos seus apoiadores para que continuassem buscando votos até o dia da eleição. Ele incentivou a conversa com as pessoas em diversos ambientes, como ruas, bares, igrejas e comércios, visando convencer todos a comparecerem às urnas. Antes de São Paulo, Lula também havia feito campanha no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.
A Disputa da ‘Quadrilha da Previdência’
Em outro momento de sua fala, Lula associou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro a supostas irregularidades na Previdência Social, mencionando o banqueiro Daniel Vorcaro. “Essa é a caminhada que prendeu a quadrilha da Previdência Social criada pelo Bolsonaro, que tornou o banqueiro prisioneiro, o Vorcaro. E eles estão com muito medo porque a cada dia aparece coisa nova”, declarou.
A questão envolvendo o caso do INSS e as acusações de irregularidades já havia se tornado um ponto central nas campanhas presidencial e de Flávio Bolsonaro. O adversário de Lula utilizou o caso para tentar associar o petista e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, ao escândalo. A defesa de Lulinha, por sua vez, negou qualquer relação com as irregularidades apontadas.
Daniel Vorcaro também foi objeto de investigações na CPMI, com o relatório do relator e um relatório alternativo governista pedindo seu indiciamento. O banqueiro já havia se reunido com Lula no Palácio do Planalto em dezembro de 2024. Em fevereiro deste ano, o presidente confirmou o encontro, afirmando ter dito ao empresário que não haveria “posição política pró ou contra o Banco Master”, mas sim uma investigação técnica do Banco Central. O encontro não constou da agenda oficial do presidente.
Democracia versus Barbárie: A Visão de Lula para o País
No discurso deste sábado, Lula reiterou sua estratégia de apresentar a eleição como um embate entre dois campos políticos antagônicos. “De um lado está a democracia, aqueles que defendem os direitos humanos, educação, ciência e tecnologia, cidadania, e do outro lado está a barbárie”, disse, reforçando a polarização do cenário eleitoral.
O presidente também projetou planos para um eventual novo mandato, prometendo promover uma “revolução educacional e tecnológica” no país. Em um apelo aos eleitores mais velhos, Lula citou sua própria idade como exemplo de vitalidade. “Precisamos convencer as pessoas de 70 anos que eles precisam votar pelos seus filhos, seus netos e seus bisnetos. Ninguém pode se considerar incapaz com 70 anos. Eu tenho 80 e me sinto um menino de 15”, declarou.
O candidato do PT manifestou a esperança de vencer a eleição no primeiro turno e convocou seus apoiadores a ocuparem a Avenida Paulista após a votação, em um gesto de celebração e demonstração de força. Para mais informações sobre o cenário político brasileiro, visite o portal G1.
Proposta para Cartão de Crédito e Juros Abusivos
Durante o comício, o presidente Lula voltou a defender a proibição de bancos enviarem cartões de crédito para as pessoas sem solicitação prévia. A proposta, que já havia sido mencionada na quinta-feira (1º), gerou repercussão entre a oposição, que o acusou de querer limitar o acesso ao crédito.
Em resposta, Lula se manifestou nas redes sociais na sexta-feira (2), afirmando que seus adversários defendem “bilionários donos de operadoras de cartões”. Ele esclareceu sua posição: “Claro que sei da importância do crédito para a vida das famílias. Cada cidadão tem o direito de ter quantos cartões de crédito quiser. O que não aceito é que bancos enviem para a casa das pessoas sem que elas tenham solicitado. Vamos acabar com essa prática e com os juros abusivos no Brasil.”
Neste sábado, o presidente reiterou que “mentirosos tentaram mentir” a seu respeito. “O que eu acho é que o cartão de crédito tem que ser distribuído com seriedade para quem pedir cartão de crédito. Quem quiser cartão de crédito que peça para o banco. O banco não pode ficar mandando para a casa das pessoas sem as pessoas pedirem”, disse o petista em São Paulo. Ele finalizou criticando os juros do cartão de crédito, que classificou como “uma roubalheira”, e prometeu moralizar o sistema de crédito no Brasil em um eventual novo mandato, incentivando o sistema financeiro a investir na produção em vez de “extorquir o povo brasileiro com taxa de juros impagáveis”.
