O movimento de peregrinos em direção ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, localizado em Aparecida (SP), registra uma notável intensificação. Fiéis de diversas regiões do país utilizam a Via Dutra e a Rota da Luz para cumprir suas promessas e expressar gratidão, com a expectativa de chegar ao destino até a próxima segunda-feira, dia 12, data em que se celebra o dia da santa padroeira do Brasil.
A jornada, que já é uma tradição para muitos, ganha força nos dias que antecedem a festividade, transformando as estradas em caminhos de fé e superação. A mobilização envolve não apenas os caminhantes, mas também uma rede de voluntários e grupos organizados que oferecem suporte essencial ao longo do percurso.
Aumento no fluxo de peregrinos na Via Dutra
A Via Dutra, uma das principais artérias rodoviárias do país, é um dos trajetos mais procurados pelos romeiros. Estima-se que aproximadamente 40 mil peregrinos devam percorrer este caminho. Muitos deles são impulsionados pela fé, buscando pagar promessas ou simplesmente agradecer por graças alcançadas, enfrentando longas distâncias a pé.
Ao longo da Dutra, a presença de pontos de apoio é fundamental. Voluntários se dedicam a oferecer água, alimentos e locais para descanso, garantindo que os caminhantes tenham o suporte necessário para prosseguir. Relatos de peregrinos de Itaquaquecetuba e da capital paulista, como Luana, Rosângela e Taís, evidenciam a determinação e a devoção que marcam cada passo da jornada, com grupos planejando percorrer mais de cem quilômetros em poucos dias.
Organização e apoio nas romarias
A solidariedade é um pilar central nas romarias, e grupos organizados desempenham um papel crucial. Em Arujá, por exemplo, uma romaria que chega à sua 19ª edição neste ano mobiliza mais de 300 pessoas, incluindo romeiros e equipes de apoio. Liderada por Emerson Almeida da Silva, a iniciativa surgiu de uma promessa pessoal e, desde então, tem como objetivo auxiliar aqueles que desejam cumprir seus compromissos de fé, mas enfrentam dificuldades financeiras.
A estrutura de apoio desta romaria é robusta, contando com caminhões e a arrecadação de doações que incluem água, frutas, lanches e camisetas. Voluntários preparam refeições, como marmitas e caldos noturnos, e parceiros em cidades como São José dos Campos e Taubaté disponibilizam espaços com banheiros. Emerson destaca a responsabilidade e a oração que acompanham cada edição, dada a grande quantidade de pessoas na beira da pista, ressaltando o alívio ao ver todos chegarem em segurança.
A Rota da Luz celebra uma década de fé
Como uma alternativa à movimentada Via Dutra, a Rota da Luz oferece um percurso de aproximadamente 200 quilômetros, conectando a Estação Estudantes, em Mogi das Cruzes, a Aparecida. Este caminho, que atravessa nove municípios, celebra dez anos de existência e já acolheu mais de 100 mil romeiros. A rota se destaca por passar por pousadas e chácaras que oferecem hospedagem e acolhimento aos peregrinos, proporcionando uma experiência mais tranquila e integrada à natureza.
Segundo Taniah Schleter, presidente da Associação Amigos da Rota da Luz, a caminhada completa pela rota geralmente dura sete dias, com seis noites de hospedagem. Embora o fluxo de peregrinos aumente significativamente no período do feriado, a rota é utilizada durante todo o ano, adaptando-se à disponibilidade de trabalho e férias escolares dos fiéis. A associação mantém um site informativo para orientar e apoiar os caminhantes.
A diversidade de experiências na Rota da Luz é exemplificada por uma família de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, que dividiu o percurso entre trechos a pé e de carro. Com duas crianças, de 8 e 4 anos, a família pernoitou em Guararema e planejava percorrer cerca de 28 quilômetros até Santa Branca. A tradição, iniciada pelo pai há cerca de cinco anos, agora envolve a mãe, os filhos e uma tia, que se juntou ao grupo pela primeira vez, demonstrando a força da fé que se transmite entre gerações. Para mais informações sobre a peregrinação, clique aqui.
