Uma operação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apreendeu cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro. O agente público é investigado por suspeita de conceder regalias indevidas ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, que cumpre prisão temporária na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
As quantias foram localizadas durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça. Na residência do carcereiro, os agentes recolheram cerca de R$ 150 mil em moeda nacional e US$ 10 mil em espécie. Durante a abordagem direta na carceragem da unidade prisional, outros cerca de R$ 4 mil foram encontrados no bolso do próprio servidor.
Carcereiro facilitava visitas fora do horário permitido
As diligências do Gaeco começaram a partir do recebimento de uma denúncia anônima relatando que o ex-parlamentar estaria usufruindo de benefícios ilegais no estabelecimento prisional. Entre os privilégios apontados na apuração, estavam entradas e encontros com políticos e amigos fora dos dias e horários regimentais, inclusive em períodos noturnos e durante finais de semana.
A investigação identificou que autoridades e figuras políticas estiveram no local sem a autorização formal exigida pela administração penitenciária. Entre os visitantes registrados constam o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, além dos deputados estaduais Delegado Olin (PP) e Rogério Franco (PL). A suspeita central é de que toda a circulação atípica ocorria com a conivência do servidor detentor dos valores em dinheiro.
Imagens registraram movimentações atípicas na delegacia
O complexo onde Milton Leite está detido é administrado pela Polícia Civil e funciona anexo às instalações do 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes. O objetivo da ofensiva policial envolveu a busca por aparelhos celulares, documentos e arquivos gravados pelo sistema de monitoramento interno que possam comprovar o esquema.
Registros de câmeras anexados ao procedimento revelam a presença de uma caminhonete vinculada à empresa da família de Milton Leite nos dias 8 e 9 de outubro, além do ingresso de um veículo de luxo. Os vídeos flagraram também uma viatura descaracterizada transportando dois homens e uma mulher com características de delegada. Um dos passageiros entrou na cadeia e conduziu o ex-vereador até a área administrativa do DP, onde ele permaneceu por quase uma hora sem justificativa oficial registrada nos autos.
Prisão prorrogada e investigação sobre transporte coletivo
O Ministério Público investiga a ocorrência de crimes de corrupção ativa e passiva. Em paralelo, a Corregedoria da Polícia Civil analisa a conduta e eventual cumplicidade de outros policiais civis nas facilidades concedidas dentro da repartição pública estadual.
Na quarta-feira (14), a Justiça de São Paulo determinou a prorrogação da prisão temporária de Milton Leite por mais 30 dias no âmbito da Operação Vectura Corrupta. A apuração conduzida pelas autoridades policiais apura a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo urbano da capital paulista, processo detalhado em reportagens do portal G1. Também figuram no inquérito o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e Danilo Marco Morgado Silva.
Milton Leite nega envolvimento nos crimes investigados pela polícia e declarou publicamente ser inocente de todas as acusações, afirmando confiar no trabalho da Justiça para esclarecer os fatos apurados.

