Imagem gerada com IA
Uma intensa disputa política interna no Partido Liberal (PL) no Ceará veio à tona com as recentes declarações do deputado estadual Alcides Fernandes. Em resposta a um vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Fernandes criticou duramente as alegações dela, classificando-as como “infelizes” e demonstrando “completa ignorância” sobre a realidade política local. O embate central gira em torno da formação de alianças estratégicas e da escolha de candidatos para as próximas eleições.
A controvérsia se aprofundou com a defesa de Alcides Fernandes sobre a legitimidade da aliança política com o grupo de Ciro Gomes no estado. Ele refutou a ideia de que tais articulações estariam sendo realizadas sem o conhecimento ou aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentando detalhes de reuniões e decisões que, segundo ele, comprovam a autorização expressa do antigo chefe do Executivo.
Na última sexta-feira, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) manifestou-se publicamente sobre o vídeo em que Michelle Bolsonaro relatou ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro, além de criticar a formação de alianças no Ceará. Para Fernandes, o conteúdo do vídeo da ex-primeira-dama foi “infeliz” e suas afirmações revelam um profundo desconhecimento da dinâmica política cearense. Ele enfatizou que as alegações dela não condizem com a realidade local.
O parlamentar rebateu veementemente a narrativa de que a aproximação com o grupo de Ciro Gomes estaria sendo conduzida “pelas costas” do ex-presidente Jair Bolsonaro. Alcides Fernandes assegurou que o próprio Bolsonaro, durante o segundo turno das eleições municipais de 2024 em Fortaleza, concedeu aval para que André Fernandes buscasse o apoio de Roberto Cláudio e da corrente política de Ciro Gomes, desmentindo qualquer insinuação de deslealdade.
Segundo o deputado, a autorização para a aliança política com Ciro Gomes remonta a uma reunião coletiva da bancada do PL, ocorrida em 29 de maio de 2025. Naquela ocasião, o ex-presidente Jair Bolsonaro teria não apenas autorizado o apoio a Ciro Gomes já no primeiro turno, mas também escolhido o nome de Alcides Fernandes para disputar uma vaga no Senado. Essa informação, conforme o deputado, demonstra a transparência e a legitimidade das articulações.
Alcides Fernandes foi categórico ao declarar que “Dizer que isso foi feito pelas costas do presidente Jair Bolsonaro […] é faltar com a verdade que é pública”. Essa afirmação reforça a sua posição de que as movimentações políticas no Ceará estavam em total consonância com as diretrizes e o conhecimento do ex-presidente, contestando as insinuações de Michelle Bolsonaro.
A ex-primeira-dama sugeriu que alianças deveriam ser construídas apenas em um eventual segundo turno, uma tese que Alcides Fernandes classificou como um “desconhecimento sobre a realidade” local. Ele recordou que, nas eleições de 2022, o Partido dos Trabalhadores (PT) conquistou o governo estadual ainda no primeiro turno, e o ex-presidente Lula obteve vitória em todos os 184 municípios cearenses, evidenciando a força da esquerda no estado.
“Infelizmente, a direita sozinha ainda não possui a força necessária para derrotar o PT”, afirmou Alcides Fernandes, sublinhando a importância de uma aliança política ampla. Ele argumentou que a fragmentação da oposição é um fator crucial que contribui para a permanência do atual grupo político no poder, justificando a necessidade de buscar apoios diversos para fortalecer a direita.
A controvérsia também se estende à disputa por uma vaga no Senado. Michelle Bolsonaro, em seu depoimento, mencionou uma reunião em 14 de abril com dirigentes do PL, onde ela teria condicionado a aceitação da aliança com Ciro Gomes à indicação de um nome de sua preferência para o Senado. Ela defende a candidatura da deputada federal Priscila Costa (PL), alegando que essa escolha havia sido acordada com Jair Bolsonaro em junho de 2025.
No entanto, André Fernandes, filho de Alcides e deputado federal (PL), tem articulado para que seu pai seja o candidato ao Senado. Michelle questionou essa movimentação, afirmando: “Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro […] Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai? Por que só a mulher tem que ceder?”. Essa declaração expõe a tensão e as divergências internas sobre as candidaturas.
O deputado federal André Fernandes (PL) manifestou apoio ao pai, Alcides, e defendeu a postura do grupo, afirmando que eles têm sido “atacados há mais de um ano calados”. Ele reforçou que a publicação de seu pai visa à defesa contra um “ataque injusto e infundado”, expressando solidariedade aos parlamentares do PL no Ceará.
Em meio à repercussão, o senador Flávio Bolsonaro publicou em suas redes sociais um pedido de desculpas a Michelle. Ele afirmou não ter tido a intenção de ofendê-la e expressou seu “coração aberto” para um encontro. “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, declarou o senador, buscando apaziguar os ânimos dentro do partido. Flávio reiterou seu respeito e reconhecimento pelo trabalho da ex-primeira-dama no PL Mulher e por sua representatividade.
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