O cenário político nacional ganha um novo capítulo com a formalização do apoio do prefeito de Itaquaquecetuba, Delegado Eduardo Boigues (PL), à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O anúncio ocorreu em um encontro estratégico em São Paulo, que reuniu o presidenciável e 32 gestores municipais paulistas, visando fortalecer a articulação e o suporte eleitoral.
A reunião, orquestrada pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), teve como objetivo principal aproximar os chefes do Executivo do candidato, não apenas para angariar suporte na reta final do segundo turno, mas também para delinear uma futura colaboração entre as cidades e o governo federal, caso Flávio Bolsonaro seja eleito.
Itaquaquecetuba e a busca por maior financiamento federal
Para o prefeito Boigues, a iniciativa representa um passo crucial para Itaquaquecetuba. Ele argumenta que o município, que governa desde 2020, é “subfinanciado” pela União, apesar de ser uma das regiões mais carentes da Grande São Paulo. Com uma população de cerca de meio milhão de habitantes, a cidade do Alto Tietê enfrenta gargalos históricos em áreas vitais como Saúde, Infraestrutura Urbana e Educação, entre outros serviços públicos essenciais.
Dados do Índice de Financiamento e Equidade Municipal (Ifem), elaborado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), corroboram a análise de Boigues. Itaquaquecetuba ocupa a 5.459ª posição entre 5.479 cidades no Ranking Nacional de Receita de 2025. O indicador revela uma renda total de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, com um valor por habitante que se encontra 30,7% abaixo da média do primeiro quintil, grupo que engloba os municípios com a menor receita per capita.
A evolução orçamentária por habitante na cidade, entre 2000 e 2025, também ilustra o desafio fiscal. O crescimento registrado foi de 220,5%, um índice inferior à média nacional de 316,7%, conforme levantamento da FNP. Este cenário, segundo Boigues, sublinha a urgência de uma revisão nos repasses federais e a necessidade de ampliar a participação da União no custeio de serviços prestados diretamente à população.
Propostas para o fortalecimento municipal e a visão do candidato
O prefeito liberal detalhou as expectativas de sua gestão em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Ele acredita que o candidato, se eleito presidente, poderá implementar medidas significativas para os municípios. Entre as propostas mencionadas estão a ampliação dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o aumento do teto de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) para a atenção primária, bem como para atendimentos de média e alta complexidade.
Além disso, Boigues defende maior investimento no custeio de Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) e em obras de drenagem em áreas de risco, essenciais para a segurança e bem-estar da população. “Precisamos de uma parceria efetiva com o governo federal, assim como, hoje, já temos com o Governo do Estado de São Paulo”, afirmou Boigues. Ele ressaltou que “Itaquaquecetuba tem baixa arrecadação e, assim, enfrenta limitações para atender toda a população. Neste sentido, acredito que o melhor caminho para o Brasil e o melhor projeto para as Prefeituras é Flávio presidente”.
O próprio Flávio Bolsonaro, durante o encontro com Boigues e o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), reiterou seu compromisso com o municipalismo. “Até em razão de minha trajetória no Poder Legislativo, acredito no municipalismo. É na cidade que a política pública acontece”, declarou o presidenciável, que terminou o primeiro turno na liderança da corrida pela Presidência, com 56.104.503 votos, 47,03% dos válidos.
Ele prometeu trabalhar para que os recursos sejam distribuídos com eficiência, chegando à ponta para fortalecer as gestões locais e contribuir para um Brasil mais desenvolvido. “Itaquaquecetuba e o prefeito (Delegado Eduardo) Boigues terão tapete verde e amarelo no Planalto”, confirmou Flávio, sinalizando uma relação prioritária com o município.
