O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo federal não destinará recursos diretos para solucionar a crise patrimonial do Banco de Brasília (BRB). A declaração foi feita durante um evento de campanha em Brasília, onde o presidente também dirigiu críticas à governadora Celina Leão e ao ex-governador Ibaneis Rocha, ambos do Distrito Federal.
A posição do governo federal surge em um momento em que o governo do DF busca um empréstimo significativo para recompor o patrimônio do banco, que enfrenta as consequências de supostas fraudes financeiras. Lula enfatizou que, embora o povo não ficará desamparado, o governo não injetará dinheiro diretamente na instituição bancária.
O Banco de Brasília enfrenta a mais severa crise de sua história, desencadeada por negociações e operações realizadas com o Banco Master entre os anos de 2024 e 2025. Essas transações, que totalizaram um valor expressivo, foram o foco da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, deflagrada em novembro de 2025, revelando suspeitas de fraudes bilionárias.
O BRB, que chegou a injetar R$ 16,7 bilhões no Banco Master com a intenção de adquiri-lo, teve a compra barrada pelo Banco Central. Posteriormente, descobriu-se que uma parte considerável das carteiras de crédito adquiridas era fraudulenta, sem lastro ou de difícil recuperação, estimando-se que pelo menos R$ 8,8 bilhões em títulos eram inexistentes. O governo do Distrito Federal, acionista majoritário do BRB, busca agora um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para cobrir o déficit patrimonial, após estimar a recuperação de R$ 2,2 bilhões por outras vias.
Em seu discurso, o presidente Lula foi categórico ao afirmar que o governo federal não irá “dar dinheiro” para o BRB, apesar da alegação de que a falta de recursos poderia impactar programas sociais como o Bolsa Família. Ele garantiu que a população não será prejudicada, mas responsabilizou a gestão distrital pela situação.
Lula criticou duramente a governadora Celina Leão, acusando-a de tentar transferir a responsabilidade da crise para o governo federal. O presidente atribuiu a quebra do BRB à ligação entre o ex-governador Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ele também questionou o paradeiro de Ibaneis Rocha, que retirou sua candidatura após as denúncias, sugerindo que estaria “gastando o dinheiro que foi roubado”.
As investigações da Polícia Federal apontam para um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo as transações entre o BRB e o Banco Master. A Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, revelou que a direção do BRB tinha conhecimento das irregularidades.
Em abril deste ano, uma nova fase da investigação resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A PF alega que Costa teria autorizado negócios com o Banco Master sem o devido lastro e sem seguir as práticas adequadas de governança, indicando uma relação de proximidade entre ele e Daniel Vorcaro.
O BRB desempenha um papel crucial para o Distrito Federal, sendo responsável pela operação de mais de 30 programas sociais, pela oferta de crédito habitacional e pela gestão da folha de pagamento do funcionalismo público distrital. Sua estabilidade é, portanto, vital para a administração local e para a população.
Como acionista controlador, cabe ao governo do DF garantir o funcionamento do banco dentro das normas do sistema financeiro nacional. Uma lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada em 24 de junho, demonstrando a urgência e a complexidade da situação para a gestão distrital. Para mais informações sobre o sistema financeiro, consulte o Banco Central do Brasil.
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