Em um desdobramento que evidenciou tensões internas no Republicanos, o senador Cleitinho formalizou nesta terça-feira seu pedido para ser o candidato do partido ao governo de Minas Gerais. A solicitação ocorreu durante uma convenção da legenda, mas foi prontamente rechaçada pelo presidente nacional do partido, Marcos Pereira, que declarou encerrada a fase deliberativa do evento.
O episódio sublinha um cenário de atritos e divergências públicas entre o parlamentar e a direção da sigla, que já havia sinalizado a inviabilidade de sua candidatura anteriormente. A situação levanta questões sobre a disciplina partidária e os processos de definição de candidaturas em ano eleitoral.
Durante a convenção, o senador Cleitinho fez um apelo emocionado, invocando figuras familiares e diversas categorias de trabalhadores mineiros e brasileiros. Ele expressou o desejo de concorrer ao governo de Minas Gerais, pedindo humildemente ao presidente do partido que lhe concedesse a oportunidade.
O senador garantiu que não decepcionaria a legenda e que trabalharia para fortalecer a bancada mineira. Em seu discurso, Cleitinho também fez uma reflexão sobre erros e equívocos, questionando quem nunca havia falhado.
Contudo, a resposta do presidente Marcos Pereira foi direta. Ele declarou a fase deliberativa da convenção como encerrada, enfatizando que o evento não tinha como propósito discutir decisões estaduais ou de outras unidades da Federação. A postura do presidente deixou clara a posição da direção nacional em relação ao pleito do senador.
Marcos Pereira fez questão de ressaltar o respeito que nutre pelo senador Cleitinho, mencionando os recentes problemas familiares enfrentados pelo parlamentar, incluindo a perda de seu irmão. Apesar da solidariedade, o presidente do Republicanos explicou os motivos pelos quais o pedido de candidatura não poderia ser atendido naquele momento.
Segundo Pereira, Cleitinho teve a oportunidade de comparecer à convenção estadual em 25 de julho para se declarar candidato ao governo de Minas Gerais. Alternativamente, poderia ter enviado uma procuração, um procedimento legalmente permitido, para formalizar sua intenção. No entanto, o senador não aceitou nenhuma das opções, o que, de acordo com o partido, inviabilizou sua candidatura dentro dos prazos estabelecidos.
O pedido de Cleitinho na convenção nacional não foi um fato isolado, mas o ápice de uma crise pública que se arrastava há dias entre o senador e a cúpula do Republicanos. Em 29 de julho, informações divulgadas por um blog jornalístico já indicavam que a direção nacional do partido havia confirmado a não participação de Cleitinho na disputa pelo governo mineiro.
Na ocasião, o partido alegou que a ausência do senador na convenção estadual e sua falta de uma definição inequívoca sobre o projeto eleitoral haviam produzido “consequências inevitáveis”. O Republicanos afirmou ter trabalhado para viabilizar a candidatura, mas a indefinição do próprio senador impediu o avanço.
Em resposta, a assessoria de Cleitinho contrariou o anúncio do partido, informando à imprensa que o senador seria, sim, candidato. Posteriormente, em uma coletiva, ele reiterou sua intenção de disputar as eleições. Este embate público se deu mesmo após o Republicanos ter anunciado apoio ao ex-secretário Marcelo Aro (PP), evidenciando uma clara divisão de posicionamentos dentro da legenda sobre a definição de candidaturas.
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