O Partido Novo oficializou, em 27 de julho, a candidatura de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, à presidência da República. O anúncio ocorreu em Brasília, durante um evento que contou com a presença do presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, após a convenção nacional da legenda ser realizada de forma virtual. Em seu discurso, Zema agradeceu o apoio do partido e apresentou suas credenciais, tecendo duras críticas à gestão federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de delinear propostas para a segurança pública e o combate à corrupção.
O ex-governador destacou sua trajetória no setor privado e público como base para sua postulação, afirmando possuir um conhecimento aprofundado do “Brasil real”. Ele enfatizou a necessidade de um líder com experiência prática e sem vínculos que possam comprometer a governança, prometendo um choque na segurança pública e o fim da “farra dos intocáveis”.
Ao ser oficializado como candidato, Romeu Zema expressou gratidão pelo endosso unânime de seu nome pelo Partido Novo. Ele argumentou que suas credenciais superam as de seus concorrentes, citando sua experiência no setor privado, onde fundou uma empresa que gera mais de 5 mil empregos diretos. Zema relatou ter percorrido milhões de quilômetros pelo país, o que, segundo ele, lhe proporcionou um entendimento profundo das dificuldades enfrentadas por empreendedores, como a burocracia estatal e a alta carga tributária.
O candidato ressaltou que, ao longo de sua vida, sempre foi um pagador de impostos, nunca um recebedor, e que, mesmo como governador, atuou de forma voluntária, doando seus vencimentos a instituições. Ele afirmou que essa vivência o diferencia, pois conhece um Brasil que “maltrata quem trabalha, quem investe, quem sustenta o Estado brasileiro”. Sua entrada na política, segundo ele, foi motivada pela percepção de que o Partido dos Trabalhadores (PT) estava “destruindo” Minas Gerais, citando problemas como a falta de repasses a municípios e a situação de aposentados e funcionários públicos com nomes negativados devido a empréstimos consignados descontados e não pagos.
Em sua fala, Romeu Zema não poupou críticas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal. Ele descreveu sua gestão em Minas Gerais como “péssima, horrível” em gerar notícias de corrupção ou escândalos, destacando a ausência de parentes em cargos públicos ou beneficiados por sua posição. O ex-governador mencionou ter aberto mão de privilégios e mordomias associados ao cargo, como palácio e serviços de luxo, gerando uma economia significativa e servindo de “bom exemplo”, algo que, em sua visão, o setor público brasileiro carece.
As críticas se estenderam ao cenário nacional, com Zema afirmando que “ninguém aguenta mais quatro anos de Lula e de PT”, rememorando escândalos passados como o mensalão e o petrolão, e mencionando casos recentes. Ele acusou o governo de não ter um plano de futuro, focando apenas em eleições, populismo e demagogia. O candidato também abordou as “aberrações” que, em sua opinião, têm ocorrido no STF, afirmando ser um dos poucos pré-candidatos a criticar abertamente a “farra dos intocáveis”. Zema mencionou um processo que responde por críticas ao ministro Gilmar Mendes, e fez comparações sobre condutas de ministros do STF em relação a um “banqueiro bandido”, contrastando com sua própria conduta de nunca ter se encontrado com a pessoa em questão, mesmo morando na mesma cidade.
No que tange à segurança pública e à soberania nacional, Romeu Zema defendeu uma postura mais rigorosa contra o crime organizado. Ele criticou a perda de soberania do Brasil, não pela ação de outros países, mas pela inação interna em relação às facções criminosas. O candidato destacou que milhões de brasileiros vivem em áreas controladas pelo crime organizado, onde a presença do Estado é mínima e os cidadãos são extorquidos. Ele citou o exemplo da empresa de energia elétrica Light, no Rio de Janeiro, que, segundo ele, não recebe por uma parcela significativa da energia fornecida, com o valor sendo apropriado pelo crime.
Zema propôs enquadrar todas as organizações e facções criminosas como terroristas e construir um “superpresídio” em local remoto, como a Amazônia, para onde os líderes seriam encaminhados para cumprir penas de, no mínimo, 25 anos. Ele mencionou uma visita a El Salvador, país que, segundo ele, alcançou uma redução de 99% nos homicídios em curto espaço de tempo, atribuindo o sucesso à classificação de criminosos como terroristas e à prisão em massa. O candidato também criticou a legislação penal brasileira, citando casos de criminosos com dezenas de ocorrências que são liberados em audiências de custódia. Ele prometeu mudar a legislação para que, a partir do segundo ou terceiro delito, o indivíduo seja detido e aguarde julgamento, visando dar um “choque na segurança pública” e combater a “carnificina” de mais de 40 mil assassinatos por ano no Brasil.
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