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Quem
A nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14) que prendeu o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, mira os núcleos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”.
Os grupos eram responsáveis por crimes de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos. LEIA TAMBÉM: 6ª fase da Compliance Zero mira alvos ligados a Vorcaro que intimidavam pessoas e invadiam sistemas
A operação também mira pessoas ligadas as ações de Luiz Phillipi Mourão, sicário de Vorcaro.
Segundo o blog de Camila Bomfim, as suspeitas apuradas pela PF incluem crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
Os investigadores também apuram se as ações de intimidação tinham como objetivo proteger interesses financeiros e dificultar o avanço das apurações relacionadas ao esquema investigado.
Pai de Daniel Vorcaro é preso em nova operação sobre o Banco Master
Reprodução
Quem são ‘A Turma’ e ‘Os Meninos’
Segundo a Polícia Federal, “A Turma” era o grupo que integrava a estrutura paralela de vigilância e intimidação supostamente comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A expressão aparece em mensagens interceptadas entre Vorcaro e Sicário, apontado pela investigação como líder operacional do esquema.
De acordo com a PF, “A Turma” reunia pessoas responsáveis por monitoramento clandestino, obtenção ilegal de dados sigilosos e ações de coerção contra alvos considerados ameaças aos interesses do grupo econômico ligado ao Banco Master.
Em uma das conversas citadas pela investigação, Mourão afirma que recebia pagamentos mensais e distribuía parte dos valores “entre a turma”, além de mencionar “Os Meninos”, “DCM” e “editores”, indicando a existência de uma rede organizada com divisão de funções.
A PF sustenta que integrantes do grupo atuavam em consultas indevidas a sistemas restritos, vigilância de pessoas, remoção de conteúdos digitais e obtenção de informações protegidas por sigilo institucional. A investigação aponta ainda que a estrutura funcionava como um “braço armado” da organização criminosa investigada.
Daniel Bueno Vorcaro
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Foto: Banco Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Foto: Banco Master
Apontado como líder da organização e controlador do Banco Master. Segundo a investigação, definia as estratégias financeiras do grupo, incluindo captação agressiva de recursos, além de ordenar pagamentos ilícitos e ações de monitoramento e intimidação contra desafetos e jornalistas.
Em conversas obtidas pela PF, o banqueiro ordena a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”:
“O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar.”
“Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.”
Trecho da decisão do STF mostra mensagem atribuída a Daniel Vorcaro com ordem para levantar endereço de uma empregada após ameaça — Foto: Reprodução
Trecho da decisão do STF mostra mensagem atribuída a Daniel Vorcaro com ordem para levantar endereço de uma empregada após ameaça — Foto: Reprodução
A defesa de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, negou as acusações.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, escreveram os advogados de Vorcaro.
Fabiano Campos Zettel
Cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do grupo. Teria atuado na operacionalização de pagamentos ilícitos, na estruturação de contratos simulados para lavagem de dinheiro e no financiamento das atividades de vigilância.
Segundo a investigação, as mensagens também indicam tratativas sobre pagamentos ligados ao esquema.
Em uma conversa de WhatsApp, Fabiano Zettel pergunta a Daniel Vorcaro: “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?”. Vorcaro responde apenas “OK”.
Para os investigadores, o diálogo reforça a suspeita de repasses relacionados à atuação de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, apontado no inquérito como consultor informal do grupo.
A defesa de Zettel disse que, “em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário”
Responsável por coordenar operacionalmente a chamada “Turma”, uma estrutura de vigilância privada. Segundo a investigação, tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
Mensagens revelam ordens de Vorcaro para ‘moer’ empregada, intimidar funcionários e agredir o jornalista Lauro Jardim
Mensagens revelam ordens de Vorcaro para ‘moer’ empregada
Mensagens revelam ordens de Vorcaro para ‘moer’ empregada
Marilson Roseno da Silva
Policial federal aposentado apontado como integrante relevante da “Turma”. Teria usado sua experiência e contatos na carreira policial para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina de alvos definidos pela organização.
Além do núcleo operacional, a investigação também aponta a existência de um núcleo de corrupção e apoio, composto por pessoas responsáveis por facilitar a atuação do grupo e dar aparência de legalidade a pagamentos.
Paulo Sérgio Neves de Souza
Ex-diretor de fiscalização do Banco Central. Segundo a investigação, atuava como uma espécie de consultor informal de Vorcaro, antecipando informações sobre fiscalizações e sugerindo estratégias para o Banco Master.
As investigações mostram que Paulo Sérgio alertava previamente Vorcaro sobre movimentações que a autarquia havia identificado, revisava documentos e ofícios que seriam entregues pelo Banco Master ao Bacen, “atividade incompatível com as atribuições de fiscalização exercidas pelo próprio servidor público”, de acordo com a decisão.
Belline Santana
Ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária no Banco Central. Assim como Paulo Sérgio, teria prestado consultoria estratégica ao banqueiro e revisado documentos que o banco enviaria ao próprio órgão regulador.
Segundo as investigações, Vorcaro solicitou contato por telefone com Belline em diversas ocasiões “para tratar de assuntos sensíveis, indicando a intenção de evitar o registro escrito das comunicações”. Ele também se reuniu com Vorcaro fora das instalações do BACEN para tratar do posicionamento do Banco Master perante o Banco Central.
O conteúdo também informa que Belline recebeu proposta de contratação, por email, por meio da Varajo Consultoria. As investigações mostram que a contratação simulada era um mecanismo fictício para formalizar o pagamento pelas atividades prestadas. Uma das mensagens enviadas por Zettel a Vorcaro, ele pergunta “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?”.
Leonardo Augusto Furtado Palhares
Administrador da empresa Varajo Consultoria, apontada como responsável por formalizar contratos fictícios usados para dar aparência de legalidade a pagamentos ilícitos. Como representante da empresa, era ele quem assinou a proposta de um “projeto de elaboração de estudo técnico relacionado à inserção de jovens no mercado financeiro” — contrato fictício para os repasses financeiros aos envolvidos, como Belline Santana.
Ana Claudia Queiroz de Paiva
Sócia da empresa Super Empreendimentos, que teria operado transferências financeiras destinadas a sustentar os pagamentos e as atividades do grupo.
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