O g1 promoveu, nesta sexta-feira (25), um importante debate com os candidatos ao Senado por São Paulo. O encontro, mediado pela jornalista Ana Paula Campos e realizado nos estúdios da TV Globo na capital paulista, ofereceu uma plataforma crucial para a discussão de propostas sobre temas que impactam diretamente a vida dos cidadãos. A iniciativa faz parte de uma série de debates que o portal tem realizado em diversos estados, com o objetivo de ampliar o espaço para que os eleitores conheçam as ideias dos concorrentes antes das eleições de outubro, quando poderão votar em dois nomes para o Senado.
Participaram do debate Geraldo Rufino (Podemos), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania). Os candidatos André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), que haviam confirmado presença, não compareceram, deixando seus lugares vazios. A discussão abordou desde questões ambientais e o combate ao crime organizado até a complexa relação entre os Poderes e as propostas para o mercado de trabalho.
No bloco dedicado ao meio ambiente, os candidatos apresentaram visões e propostas variadas. Marina Silva defendeu investimentos para adaptar 177 municípios paulistas a eventos climáticos extremos, ressaltando que o meio ambiente é a base para o desenvolvimento, ciência, tecnologia e geração de emprego. Ela destacou a vulnerabilidade de cerca de 1 milhão de habitantes em áreas de risco, que necessitam de moradia digna e obras de infraestrutura.
Simone Tebet, por sua vez, enfatizou a interligação entre meio ambiente e desenvolvimento industrial, além de criticar a concessão da Enel e a Sabesp, defendendo a revisão ou extinção de contratos para garantir serviços de qualidade. Soninha Francine propôs a ideia de “plantar água” para recuperar nascentes e combater a poluição e contaminação dos rios, enquanto Geraldo Rufino priorizou o saneamento básico, apontando a situação crítica nas periferias e favelas, onde a falta de tratamento de esgoto afeta a saúde das famílias.
A infiltração do crime organizado foi um dos pontos mais tensos do debate. Simone Tebet alertou para a presença do PCC na Prefeitura de São Paulo e na estrutura da Segurança Pública estadual, além de expressar preocupação com o avanço das milícias. Ela sublinhou a necessidade de evitar que São Paulo se torne um cenário similar ao Rio de Janeiro em relação à atuação de facções criminosas.
Marina Silva propôs o bloqueio de bens e o desmonte de empresas ligadas ao crime organizado, defendendo o combate à “promiscuidade entre poder público e criminosos”. Soninha Francine destacou a importância da inteligência e integração entre as forças de segurança e órgãos de controle, lamentando como a corrupção de agentes públicos dificulta o combate às facções. Geraldo Rufino, além de sufocar financeiramente as organizações, enfatizou a necessidade de chegar às comunidades antes do crime para evitar o recrutamento de crianças e adolescentes.
A dinâmica entre Executivo, Legislativo e Judiciário também gerou discussões acaloradas. Soninha Francine criticou a “verdadeira guerra” entre os Poderes e o uso de votos como moeda de troca por recursos e cargos, além de condenar a atuação política de juízes e ministros. Simone Tebet classificou a relação como “caso de polícia” e defendeu uma reforma no Poder Judiciário, com mandato, idade mínima, controle de decisões monocráticas e paridade de gênero no STF, além de criticar salários acima do teto constitucional. Ela também propôs uma reforma no Legislativo, com diminuição do número de parlamentares e redução de gastos, especialmente com emendas parlamentares.
Marina Silva reforçou a defesa da autonomia entre os Poderes, prevista na Constituição, mas que não se concretiza na prática devido a interferências. Ela também pediu uma reforma do Judiciário, a criação de um estatuto de ética para os ministros e uma reforma política. Geraldo Rufino defendeu uma reforma no Senado, com a necessidade de parlamentares com coragem para avaliar e punir seus próprios membros, visando restaurar a democracia na instituição.
No segmento sobre trabalho e emprego, Simone Tebet defendeu o fim da escala 6×1 e a proteção para trabalhadores de aplicativos, argumentando que o descanso remunerado não é inimigo da economia. Ela sugeriu desoneração da folha para pequenas empresas para absorver os custos das mudanças e regras contra excessos das plataformas, garantindo contribuição previdenciária e aposentadoria.
Soninha Francine questionou a forma como os dados de desemprego são apresentados, citando que atividades precárias são contabilizadas como ocupação. Ela defendeu mais flexibilidade nas regras do emprego formal para que a informalidade não seja tão atrativa. Marina Silva destacou a redução da taxa de desemprego no governo Lula e a necessidade de melhorar a qualidade e produtividade dos postos de trabalho, com políticas específicas para mulheres e jovens. Geraldo Rufino defendeu a ampliação das oportunidades de trabalho formal para adolescentes e a redução de custos e burocracia para pequenas empresas, criticando a reforma tributária e a complexidade para abrir e manter um negócio.
Na área da educação, Simone Tebet apontou a carência de 200 mil vagas em creches no estado de São Paulo. Ela defendeu o uso de recursos federais e emendas parlamentares para ampliar a oferta de vagas pelos municípios, visando atender à demanda e garantir o acesso à educação infantil para todas as crianças que necessitam.
Para mais informações sobre o debate e as propostas dos candidatos, acesse o portal g1.globo.com.
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