Uma nova pesquisa da Quaest, divulgada recentemente, revela uma alteração significativa na forma como a população brasileira percebe os impactos do chamado escândalo do banco Master. Os dados indicam uma mudança na atribuição de responsabilidades e envolvimento, com uma diminuição da visão generalizada de que o caso afeta “todos” e um aumento das menções a figuras políticas e instituições específicas.
O levantamento oferece um panorama detalhado da opinião pública em meio a um cenário de intensos debates e controvérsias, especialmente no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). A análise da Quaest busca quantificar como eventos de grande repercussão afetam a reputação de autoridades, políticos e órgãos públicos, fornecendo insights sobre a dinâmica da percepção social.
A pesquisa aponta que a parcela da população que acredita que o escândalo do banco Master afeta “todos” de forma generalizada registrou uma queda notável, passando de 46% para 37% em apenas uma semana. Essa redução sugere uma focalização da atenção pública em atores e instituições mais específicos, em detrimento de uma visão difusa do problema.
Em contrapartida, houve um aumento nas menções à Família Bolsonaro, que subiu de 15% para 21%. O governo Lula e políticos do PT também viram suas menções crescerem, de 9% para 11%. O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve uma menção relevante, com 16% dos entrevistados citando a instituição, uma leve variação em relação aos 17% da pesquisa anterior. Outras instituições como o Congresso e o Banco Central registraram menções menores, com 2% e 1% respectivamente.
O cenário da pesquisa foi intensificado por uma crise no STF, que ganhou destaque nas semanas anteriores. A controvérsia se acentuou após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal. Este documento continha mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, trazendo à tona discussões sobre a conduta de membros da Corte.
Desde então, outros documentos e comunicações, alguns ainda sob sigilo, vieram a público, mencionando outros integrantes do tribunal e seus familiares. A Quaest também investigou a percepção dos eleitores sobre a crise no STF e sua possível influência na escolha de candidatos à presidência. A maioria, 62%, afirmou que a crise não teria influência sobre seu voto, enquanto 26% indicaram que ela reforça a escolha atual. Uma parcela de 7% admitiu que o tema poderia levá-los a mudar de voto.
A pesquisa revelou uma polarização nas percepções, alinhada às preferências eleitorais. Entre os eleitores do presidente Lula, 46% afirmaram que o escândalo do Master afeta negativamente a família Bolsonaro. Já entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 37% citaram o governo Lula como impactado, e 22% apontaram o STF.
A Quaest conduziu o levantamento com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O registro oficial da pesquisa é BR-06004/2026. A sessão extraordinária do STF, convocada para discutir o relatório da PF, terminou sem decisão na semana anterior à pesquisa, com 74% dos entrevistados afirmando já estar cientes dos acontecimentos, enquanto 26% não estavam informados. Para mais informações sobre como pesquisas de opinião são realizadas e interpretadas, clique aqui.
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