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Excedente de energia leva ONS a acionar plano inédito para estabilizar sistema elétrico

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) implementou uma ação inédita neste domingo, entre 10h e 14h, para gerenciar um desequilíbrio significativo entre a oferta e a demanda de energia. O objetivo principal foi evitar o risco de instabilidade na rede elétrica brasileira, que enfrentava uma sobra de energia. Esta intervenção marcou a primeira vez que o plano de gestão de excedente foi acionado.

A medida, considerada um “sucesso” pelo ONS, visou reduzir 1.000 MW do sistema. A necessidade surgiu de uma combinação de fatores: alta atividade da micro e mini geração distribuída, impulsionada por fontes como painéis solares, e uma demanda excepcionalmente baixa por energia, especialmente dos setores industrial e comercial, devido ao feriado prolongado.

Ação Coordenada para Gerenciar Excedente de Energia

Em uma operação meticulosamente coordenada, as distribuidoras de energia elétrica desempenharam um papel crucial ao reduzir a geração sob suas respectivas áreas de concessão. Paralelamente, o ONS implementou medidas complementares para diminuir a quantidade total de energia circulante no sistema. Essa abordagem conjunta foi essencial para o sucesso da intervenção.

O ONS garantiu a transparência e a comunicação contínua com todos os agentes do setor, mantendo-os atualizados sobre as ações em curso no Sistema Interligado Nacional (SIN). A gestão dos recursos disponíveis foi realizada em comunicação direta com os operadores, assegurando que as demandas da sociedade fossem atendidas sem comprometer a segurança operacional. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras executaram os cortes nas usinas conectadas às redes de distribuição conforme os parâmetros estabelecidos. A Abradee informou que realizará uma avaliação técnica aprofundada da ação para detalhar seus impactos e resultados.

Plano Emergencial e Suas Categorias

O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição foi instituído no ano passado como resposta à crescente identificação de riscos de colapso no sistema elétrico. Esse risco é provocado pelo excesso de geração de energia renovável, que se torna particularmente problemático em períodos de baixa demanda, como feriados e fins de semana.

A regulamentação deste plano estabelece protocolos claros para controlar parte da oferta de energia, garantindo a segurança e a estabilidade da operação do sistema. O foco principal recai sobre as usinas classificadas como Tipo III. Esta categoria abrange pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas a biomassa, que, embora não estejam diretamente integradas à rede controlada pelo ONS, exercem uma influência significativa no equilíbrio geral do sistema elétrico.

Alertas Anteriores e a Necessidade de Intervenção

A urgência de um plano de gestão de excedentes foi evidenciada por dois episódios críticos ocorridos em 2025, que acenderam o alerta no setor de energia. Ambos os incidentes, que destacaram o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda, aconteceram em domingos, dias em que o consumo de energia é tipicamente menor devido à redução das atividades industriais e comerciais.

Um dos casos mais notáveis ocorreu em 10 de agosto de 2025. Naquela data, a geração de energia solar atingiu um pico, respondendo por 37,6% da demanda nacional. Diante desse cenário, o ONS foi obrigado a reduzir drasticamente a geração de usinas hidrelétricas e termelétricas, além de impor cortes na produção de grandes parques eólicos e solares para manter a estabilidade.

Regulamentação da Aneel e Perspectivas Futuras

As regras estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) são fundamentais para a execução do plano. Atualmente, 12 distribuidoras estão habilitadas a realizar os cortes de geração previstos, concentrando aproximadamente 80% da capacidade instalada das usinas Tipo III no país. A expectativa é que, em uma segunda etapa de implementação, outras distribuidoras sejam incorporadas ao plano.

A regulamentação da Aneel também exige que o ONS apresente um relatório técnico detalhado à agência em até 30 dias após cada acionamento do plano. Este relatório deve explicar as condições que motivaram a medida e os resultados alcançados, garantindo a transparência e a avaliação contínua da eficácia do sistema. Para mais informações sobre o Operador Nacional do Sistema Elétrico, visite o site oficial do ONS.

Redação on-line

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