Alto Tietê

Feirantes do Alto Tietê sentem impactos de bloqueios ilegais nas estradas

Em uma feira de Suzano, feirantes relatam falta de mercadorias para trabalhar nos próximos dias. Ceagesp espera normalizar entregas a partir do final dessa semana. Bloqueios ilegais nas estradas afetam comércio de frutas no Alto Tietê
O Alto Tietê continua vivendo os reflexos do bloqueio ilegal das rodovias, realizado por caminhoneiros bolsonaristas em todo o Brasil. Nesta quinta-feira (3), feirantes relatavam problemas de desabastecimento.
Em uma feira de Suzano, uma comerciante contou que restavam poucas espigas de milho para vender. Para piorar, o distribuidor que vende para ela já avisou que não vai conseguir trazer mais produtos por enquanto. Como ela já tinha o milho não aumentou o preço.
Em uma barraca que vende bananas a informação é que no final de semana não terá expediente. Isso porque não tem tempo para climatizar as bananas que são recebidas verdes para que estejam no ponto na hora de ir para a feira.

Thiago de Oliveira é chefe da seção de economia da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e avalia que, apesar das dificuldades, a situação está melhorando.
“Terça-feira foi o dia mais complicado que teve em média redução de 15% na entrada de veículos. No feriado, a tendência foi de normalização. Setores com baixa oferta de volumes é o de legumes onde houve a falta pontual de alguns produtos. Tendência de normalização. Frutas é o setor com mais estoque e que primeiro irá se normalizar”, aponta.
Ele diz que nesta quinta o Ceagesp contabilizou a entrada de 5 mil veículo, quando o número normal seria de, em média, 5.089. “Seguimos apreensivos porque sexta-feira é o dia de maior comercialização. Clima mais fresco e não afeta muito os produtos e a facilidade de estragar. Alguns produtores não mandaram produtos sabendo do bloqueio. Outros nem colheram. Eles estão fazendo hoje com liberação das estradas para chegar no Ceagesp na sexta-feira.”
Renato Abdo é diretor-executivo da Associação dos Produtores e Distribuidores de Hortifruti do Estado de São Paulo (Aporthesp). Ele destaca que o setor de hortaliças foi bastante impactado. “Porque mesmo sendo carga perecível não houve possibilidade das entregas ocorrerem justamente porque os manifestantes estavam bloqueando as rodovias de acesso, principalmente aos grandes centros.” Segundo Abdo, a Aporthesp entrega em 3,5 mil pontos de varejo todos os dias.

Redação on-line

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