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Flávio Bolsonaro se irrita com cobrança por contas de ‘Dark Horse’ e responsabiliza Lula

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, demonstrou irritação na noite desta segunda-feira (24) ao ser questionado pela imprensa sobre a apresentação do contrato e das contas do filme ‘Dark Horse’. A produção cinematográfica, que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é alvo de investigações e controvérsias financeiras que se arrastam há meses.

Em maio, Flávio Bolsonaro havia prometido prestar contas em um prazo de 30 dias, após a revelação de áudios em que ele solicitava R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento do projeto. No entanto, passados mais de três meses desde a promessa, a transparência sobre os valores e contratos permanece um ponto de atrito com os jornalistas.

O Impasse Financeiro do Filme ‘Dark Horse’

O senador negou qualquer recuo em sua promessa de transparência, afirmando que a produtora Go Up Entertainment, da empresária Karina da Gama, já teria prestado contas do filme. Segundo Flávio Bolsonaro, os relatórios teriam sido vazados pela própria imprensa, mencionando especificamente uma reportagem do g1 que indicava gastos superiores ao investimento recebido.

Ele defendeu que a prestação de contas foi realizada no âmbito da investigação em curso em São Paulo. Em um tom de irritação, o senador desviou a responsabilidade, declarando: “Não sou eu que tenho que prestar conta, é o Lula, porque fez reuniãozinha escondida com Augusto Lima e o Vorcaro”.

Diante da insistência dos repórteres sobre a falta de clareza nos contratos e na verba recebida, Flávio Bolsonaro argumentou que a discussão sobre o filme seria uma “relação privada” sem “partilha pública de nada”. Ele criticou a imprensa por focar no assunto enquanto o país enfrenta problemas econômicos, redirecionando novamente a cobrança de explicações para o governo atual.

A Perícia Questionada e a Falta de Comprovação

De acordo com uma reportagem publicada pelo g1 em junho, a empresária Karina da Gama anexou ao inquérito que investiga o filme em São Paulo uma perícia contratada por ela mesma. Este documento aponta gastos de R$ 75 milhões com a produção do filme ‘Dark Horse’.

Contudo, a perícia não apresentou nenhum recibo ou nota fiscal que comprovasse os gastos detalhados, nem a origem do dinheiro recebido para a produção. O documento indica que R$ 54 milhões desse montante teriam sido gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil, totalizando US$ 13,39 milhões, apesar de o filme ter sido integralmente filmado em território nacional.

O laudo foi elaborado pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI), a pedido dos advogados de defesa de Karina da Gama. O perito responsável, Anísio Costa Castelo Branco, afirmou ter baseado o documento em contratos, planilhas financeiras e extratos bancários da ONG, mas não reproduziu nenhum desses documentos para comprovar os números apresentados. Além disso, o laudo não esclarece a origem dos R$ 20,9 milhões gastos no Brasil.

Conexões e Investigações Paralelas

A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), ambas de propriedade de Karina da Gama e com o mesmo endereço, são alvos de investigações. A ICB firmou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi na periferia da cidade, um acordo que está sob apuração da Polícia Civil e do Ministério Público por suspeita de desvio de recursos públicos.

A investigação busca determinar se houve utilização de verbas públicas do contrato municipal na produção do filme sobre Jair Bolsonaro. O banqueiro Daniel Vorcaro, que ajudou a financiar o filme e está preso por gerar um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), teria pago R$ 61 milhões aos produtores via um fundo nos Estados Unidos. O site “The Intercept Brasil” chegou a reportar que Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época.

Antes do ‘Dark Horse’, a Go Up Entertainment não tinha histórico de produção cinematográfica no Brasil, e a ONG ICB nunca havia instalado pontos de wi-fi na periferia de São Paulo antes de assumir o contrato com a gestão municipal em junho de 2024. A falta de comprovação dos gastos e a conexão com o contrato público de wi-fi intensificam as dúvidas sobre a transparência e a origem dos recursos do filme. Para mais informações sobre as investigações, acesse g1.globo.com.

Redação on-line

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