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O cenário da migração e do refúgio no Brasil registrou uma mudança histórica em 2025, com cidadãos cubanos superando pela primeira vez os venezuelanos no número de solicitações de refúgio. Este marco, que inverte uma tendência de anos, reflete dinâmicas geopolíticas e socioeconômicas que impulsionam os fluxos migratórios em direção ao país.
Os dados, compilados no estudo Refúgio em Números 2026, divulgado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça, revelam um aumento significativo no total de pedidos. A análise foi apresentada em evento alusivo ao Dia Mundial do Refugiado, oferecendo um panorama detalhado sobre a origem e o perfil dos solicitantes.
Em 2025, os cubanos se tornaram a principal nacionalidade a buscar refúgio no Brasil, representando 41.919 das solicitações, o que corresponde a 55,4% do total. Este número representa um crescimento notável de 88,1% em comparação com o ano anterior, indicando uma intensificação do fluxo migratório vindo da ilha caribenha.
A situação em Cuba é apontada como um fator crucial para este êxodo. A economia debilitada, somada a um período de tensões nas relações com os Estados Unidos – que desde janeiro de 2026 impõem um bloqueio ao petróleo destinado à ilha –, tem gerado apagões e dificuldades. Recentemente, o Parlamento cubano aprovou um pacote de reformas econômicas, mas as pressões internas e externas continuam a impulsionar a busca por novas oportunidades e segurança em outros países.
O volume total de solicitações de refúgio no Brasil em 2025 alcançou 75.599 pedidos, um aumento de 10,9% em relação ao ano anterior. Este é o terceiro maior volume da série histórica, ficando atrás apenas dos anos de 2018 e 2019. O estudo contextualiza este crescimento como parte de uma retomada dos fluxos migratórios em direção ao Brasil, observada desde 2022 (50.355), 2023 (58.628) e 2024 (68.159), após as restrições impostas pela pandemia de Covid-19.
Os venezuelanos, que por anos lideraram o ranking de pedidos de refúgio, ficaram em segundo lugar em 2025, com 21.233 solicitações. Em seguida, figuram os colombianos, com 1.432 pedidos. Outras nacionalidades com volumes expressivos incluem Angola (1.253 solicitações), Marrocos (888) e Gana (792), demonstrando a diversidade dos fluxos migratórios que chegam ao Brasil.
A análise da distribuição geográfica das solicitações de refúgio decididas pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) em 2025 revela que a região Norte do Brasil concentrou a maior parte dos registros, com 52,4% do total. Os solicitantes nesta região tinham como principais origens a Venezuela (13.125), Cuba (11.490) e a Colômbia (524).
Entre os estados, Roraima se destacou como a unidade da federação com o maior volume de solicitações de reconhecimento da condição de refugiado decididas pelo Conare, totalizando 16.166 (32% do total). Amapá e Amazonas seguiram, com 6.372 (12,6%) e 2.445 (4,8%) pedidos, respectivamente. Quanto ao perfil demográfico, a maioria dos solicitantes de refúgio é composta por homens (55,9% contra 44% de mulheres), predominantemente na faixa etária dos 25 aos 40 anos (26.911 solicitantes). No entanto, entre os cubanos, há uma particularidade: a maioria dos que pedem refúgio tem mais de 60 anos (67,8%), indicando um perfil etário distinto para este grupo.
O Conare, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, é o responsável por analisar e decidir sobre os pedidos de refúgio no Brasil. O processo de tramitação é facilitado para cidadãos de países onde o Brasil reconhece a existência de grave e generalizada violação de direitos humanos. Esta categoria abrange a maioria dos pedidos atendidos pelo Conare, totalizando 94,7%, e inclui grupos como os venezuelanos, sírios e afegãos.
A atuação do Conare é fundamental para garantir a proteção internacional a indivíduos que buscam segurança e dignidade no Brasil, em conformidade com as leis nacionais e os compromissos internacionais do país. A complexidade dos fluxos migratórios exige uma análise contínua e adaptativa das políticas de refúgio. Para mais informações sobre o tema, consulte os relatórios do OBMigra: OBMigra.
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