FOMO: Medo de ficar de fora pode afetar autoestima, sono e qualidade de vida
Uma viagem, uma festa, um encontro entre amigos ou uma conquista profissional. Ao acompanhar as redes sociais, é comum ter a impressão de que outras pessoas estão sempre vivendo experiências melhores ou mais interessantes. Essa sensação de estar perdendo alguma coisa tem nome: FOMO, sigla em inglês para Fear of Missing Out, ou “medo de ficar de fora”.
Segundo a psicóloga da Hapvida, Verônica Lima, a FOMO não é uma doença nem um diagnóstico clínico específico, mas um fenômeno comportamental que pode provocar sofrimento quando passa a interferir na rotina. “É aquela sensação de que as outras pessoas estão vivendo experiências melhores ou mais interessantes. Isso pode provocar ansiedade, insatisfação e uma necessidade excessiva de acompanhar o que os outros estão fazendo”, explica.
As redes sociais podem intensificar esse comportamento porque apresentam, em geral, recortes positivos da vida. Viagens, festas, conquistas profissionais, relacionamentos e outros momentos são publicados sem necessariamente mostrar as dificuldades e situações comuns do cotidiano.
“Quando comparamos a nossa vida inteira com os melhores momentos que alguém escolheu publicar, essa comparação torna-se injusta. A pessoa pode começar a acreditar que está ficando para trás ou que sua vida não é suficientemente interessante, mesmo que aquilo que é apresentado nas redes seja apenas uma pequena parte da realidade do outro”, afirma Verônica.
O sinal de alerta aparece quando acompanhar as redes deixa de ser uma escolha e passa a ocupar espaço excessivo na rotina. Ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, frustração, baixa autoestima e sensação de inadequação podem surgir ou se intensificar.
O impacto também pode chegar ao sono. Permanecer conectado até tarde para acompanhar publicações ou acontecimentos pode reduzir a qualidade do descanso e provocar cansaço e sonolência durante o dia. Em situações de ansiedade, também podem aparecer manifestações físicas, como tensão muscular, dores de cabeça, palpitações e desconfortos gastrointestinais.
Outro comportamento que merece atenção é a dificuldade de permanecer no momento presente. Mesmo durante uma confraternização, um encontro familiar ou um período de descanso, a pessoa pode sentir necessidade de verificar constantemente o celular para descobrir o que está acontecendo em outros lugares.
“Conferir o celular repetidamente, sentir ansiedade quando não consegue acessar as redes ou perceber prejuízos no sono, nos relacionamentos, no trabalho ou nos estudos são sinais que merecem atenção”, orienta a psicóloga.
Combater o medo de ficar de fora não significa necessariamente abandonar as redes sociais. A recomendação é estabelecer limites para o uso e observar quais hábitos estão contribuindo para a ansiedade.
Entre as estratégias estão criar períodos longe das telas, evitar o celular próximo ao horário de dormir, silenciar notificações e reduzir a exposição a perfis e conteúdos que estimulam comparações negativas.
Verônica também recomenda valorizar experiências fora do ambiente digital. Atividades de lazer, convivência com familiares e amigos e momentos de descanso sem o celular podem ajudar a recuperar a atenção para a própria rotina.
Outro ponto importante é lembrar que as redes sociais não representam a vida completa de ninguém. “É fundamental entender que o conteúdo publicado é apenas um recorte. Comparar a realidade cotidiana com aquilo que foi selecionado e editado para ser mostrado pode gerar expectativas que não correspondem à realidade”, explica.
Quando a ansiedade ou o sofrimento provocados pelo uso das redes começam a comprometer o sono, os relacionamentos, os estudos ou o trabalho, a busca por acompanhamento profissional pode ajudar a compreender os gatilhos e desenvolver uma relação mais equilibrada com a tecnologia.
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