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Fraude BRB: depoimentos de funcionários reforçam indícios em operação com Banco Master

A Polícia Federal (PF) avança na investigação sobre a controversa aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Recentemente, funcionários do BRB prestaram depoimentos que adicionam uma nova camada de complexidade ao caso, sugerindo que os problemas identificados na operação não foram meros erros, mas sim indícios de fraude intencional.

Esses relatos internos, colhidos no âmbito do inquérito que apura a transação bilionária, indicam que as irregularidades já haviam sido sinalizadas dentro da própria instituição, antes mesmo da intervenção do Banco Central. A apuração agora se concentra em fortalecer a linha de investigação que aponta para uma conduta deliberada, distanciando-se da hipótese inicial de falhas acidentais.

Aprofundamento da investigação da Polícia Federal

Os depoimentos dos servidores do BRB foram cruciais para o inquérito da Polícia Federal. Eles foram ouvidos na condição de testemunhas, e não como investigados, fornecendo detalhes sobre sua atuação na auditoria interna do banco. Essa auditoria foi responsável por identificar as primeiras falhas e inconsistências na compra das carteiras de crédito do Banco Master, uma operação avaliada em cerca de R$ 12 bilhões.

A colaboração desses funcionários é vista como um elemento importante para os investigadores, pois seus relatos corroboram a existência de alertas internos sobre os riscos envolvidos na transação. A PF busca agora consolidar as evidências que sustentam a tese de uma possível fraude, analisando a fundo a documentação e os procedimentos adotados.

Indícios de fraude BRB e falhas de compliance

As declarações dos funcionários do BRB apontam diretamente para a gestão do então diretor de Finanças e Controladoria, Dario Oswaldo de Garcia Junior, que deixou o cargo após a eclosão do escândalo. Segundo os relatos, o ex-diretor teria desconsiderado critérios essenciais de compliance e segurança interna do banco. Tal conduta, na avaliação dos investigadores, enfraquece consideravelmente a tese de que as irregularidades seriam resultado de um erro operacional, reforçando a suspeita de uma ação intencional de fraude BRB.

A falta de adesão aos protocolos internos de governança e a negligência em relação aos alertas prévios são pontos-chave na investigação. O compliance bancário é fundamental para garantir a integridade das operações financeiras, e qualquer desvio pode ter graves consequências legais e reputacionais para a instituição e seus gestores.

A defesa do ex-diretor e o volume da operação

Dario Oswaldo de Garcia Junior também já foi ouvido pela Polícia Federal. Em seu depoimento, o ex-diretor afirmou não possuir conhecimento detalhado sobre a natureza exata dos ativos que estavam sendo adquiridos na operação. Ele expressou surpresa com o volume elevado de créditos considerados problemáticos que o BRB acabou comprando, sugerindo uma falta de clareza sobre o lastro das carteiras de crédito.

A operação, que envolveu a aquisição de carteiras de crédito sem lastro, ou seja, sem garantias ou com garantias insuficientes, levanta sérias questões sobre a diligência e a transparência na transação. A defesa do ex-diretor foi procurada para comentar os depoimentos dos funcionários, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

Afastamento judicial e as implicações do caso

O envolvimento de Dario Oswaldo de Garcia Junior no caso levou ao seu afastamento do cargo de diretor em novembro do ano passado, por ordem judicial. O juiz Ricardo Leite, da Justiça Federal do Distrito Federal, justificou a medida citando “indícios de autoria prova da materialidade delitiva do crime de gestão fraudulenta e possível associação criminosa e a deliberação do salvamento do Banco Master”.

A decisão judicial ressaltou que o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Dario não foram capazes de providenciar contratos de crédito falsos, comprovantes de depósitos falsos, averbações falsas e outros documentos destinados a comprovar a validade de carteiras de créditos insubsistentes. Este ponto sublinha a fragilidade dos ativos adquiridos e a gravidade das acusações. Em resposta ao escândalo, o BRB promoveu uma reestruturação completa em sua diretoria, e a instituição também enfrentou desafios como o atraso na divulgação do balanço de 2025.

Para mais informações sobre o papel do Banco Central na fiscalização de instituições financeiras, consulte o site oficial do Banco Central do Brasil.

Redação on-line

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