Entidades representativas da magistratura e do Ministério Público Federal (MPF) intensificaram seus pleitos junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que a Corte se comprometa a encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei visando o reajuste do teto remuneratório do funcionalismo público. Além disso, as associações buscam a flexibilização das regras que limitam o pagamento dos chamados “penduricalhos”, verbas de caráter indenizatório que complementam os salários.
A mobilização surge após um julgamento recente do próprio STF, no qual ministros reconheceram a defasagem do valor atual do teto, fixado em R$ 46,3 mil, que corresponde aos subsídios dos membros da Corte. A discussão sobre a atualização desses valores e a revisão dos critérios para as verbas adicionais é vista pelas entidades como um passo crucial para uma solução justa e duradoura na estrutura remuneratória do Judiciário.
A defasagem do teto do funcionalismo público em debate
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) destacou que, durante o julgamento que impôs limites aos penduricalhos, houve um consenso entre os ministros do Supremo sobre a grave defasagem do teto salarial. Conforme apurações da Comissão Técnica de Assessoramento aos Três Poderes da República, a correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) indicaria que o valor do teto deveria ser de R$ 71,5 mil.
Apesar desse reconhecimento, a Ajufe ressaltou a ausência de um compromisso formal do STF para a apresentação de um projeto de lei que revise esses valores. A entidade argumenta que a atualização do teto é uma discussão inevitável e que o Supremo, constitucionalmente competente, deve assumir a liderança nesse processo para garantir a adequação dos subsídios da magistratura.
Decisão do Supremo sobre verbas indenizatórias e seus limites
Em março, o Supremo Tribunal Federal proferiu uma decisão unânime que estabeleceu critérios claros para o que pode ser considerado verba indenizatória e, consequentemente, pago acima do teto salarial mensal. A Corte definiu que o valor final desses “penduricalhos” não pode exceder 70% do salário base.
Essa porcentagem foi detalhada em duas categorias principais: um adicional por tempo de serviço, que não pode ultrapassar 35% do salário, e os outros 35%, que englobam a soma de diversas verbas. Entre essas verbas estão diárias, ajuda de custo, gratificação por promoção ou nomeação com mudança de domicílio, gratificação para professores, indenização por férias não tiradas (limitadas a 30 dias), gratificação por exercício em comarca de difícil provimento, e o pagamento de eventuais valores retroativos anteriores a fevereiro de 2026, além de gratificação por acumular mais de uma jurisdição.
Pedidos de flexibilização e plano de liquidação para o funcionalismo
Além da Ajufe, outras entidades e o Ministério Público Federal (MPF) também apresentaram recursos pedindo esclarecimentos e a flexibilização da tese fixada pelo Supremo. Entre as demandas, está a autorização para o pagamento do auxílio-alimentação mensal e a liberação, fora da trava de 35%, de verbas de natureza ressarcitória, como diárias, ajuda de custo, indenização de férias não gozadas, auxílio-moradia e auxílio-saúde.
Essa interpretação já havia sido consolidada em uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Outro ponto crucial levantado pelas entidades é a criação de um Plano Nacional de Liquidação, que viabilizaria o pagamento dos “passivos funcionais administrativamente reconhecidos” antes da implementação das novas regras estabelecidas pelo Supremo.
O caminho para uma solução duradoura na remuneração do funcionalismo
A discussão em torno da estrutura remuneratória do Judiciário e do Ministério Público é complexa e envolve aspectos constitucionais e financeiros. As entidades argumentam que a manifestação do STF, no sentido de propor um projeto de lei para a revisão dos subsídios, é essencial para se alcançar uma “solução justa e duradoura”.
A expectativa é que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar os recursos apresentados, não apenas esclareça os pontos da decisão sobre os penduricalhos, mas também sinalize um compromisso claro com a atualização do teto do funcionalismo, reconhecendo a necessidade de adequação dos valores à realidade econômica do país. Este movimento é visto como fundamental para a valorização da magistratura e a manutenção da atratividade das carreiras públicas de alto nível. Para mais informações sobre o tema, consulte o site oficial do Supremo Tribunal Federal.

