Um escritório ligado ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), foi alvo de um furto na noite de domingo (20). O incidente, registrado por câmeras de segurança, ocorreu na Rua General Bráulio Guimarães, em Santo Amaro, Zona Sul da capital paulista. Os criminosos levaram um HD que armazenava imagens do circuito interno, mas curiosamente deixaram para trás mais de R$ 19 mil em dinheiro.
O episódio ganha contornos adicionais de complexidade, pois acontece poucos dias após a prisão de Leite. Ele está detido em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, desde sexta-feira (18), como parte da Operação Vectura Corrupta, que investiga a suposta infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da cidade.
As imagens do circuito de segurança capturaram o momento exato da fuga dos criminosos. Por volta das 21h17, um dos invasores levantou o portão da garagem do imóvel. Em seguida, os demais integrantes do grupo saíram rapidamente em um carro de cor branca. O homem que havia aberto o portão entrou no veículo pelo banco traseiro, e o grupo empreendeu fuga.
Até o momento, as autoridades não divulgaram informações sobre o número exato de pessoas envolvidas no crime. A polícia também constatou que diversos documentos de Milton Leite foram revirados no imóvel. Entre os itens encontrados em desordem estavam talões e cartões bancários, um Bilhete Único e uma carteirinha de filiação do presidente estadual do União Brasil ao Corinthians.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que a Polícia Civil está à frente da investigação do furto. A Polícia Militar foi acionada por uma vizinha que percebeu a movimentação estranha. Ao chegarem ao local, os policiais constataram danos no portão da garagem e sinais evidentes de desordem no interior do imóvel.
Parte dos documentos e do dinheiro que foi encontrado no escritório foi apreendida pelos policiais civis que atenderam a ocorrência. A perícia técnica foi acionada para coletar evidências, e as diligências prosseguem com o objetivo de identificar e capturar os responsáveis pelo crime. O caso foi registrado no 11º Distrito Policial (Santo Amaro) como furto a residência e localização/apreensão de objetos.
A prisão temporária de Milton Leite, com duração de 30 dias, é resultado da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. As investigações apontam para a atuação do PCC no setor de transporte público da capital paulista, com Leite sendo suspeito de operar empresas sob controle da facção, incluindo a Transwolff.
Leite se entregou à polícia na tarde de sexta-feira (18) em uma delegacia de Mogi das Cruzes, após ter sido considerado foragido desde quinta-feira (17), quando o mandado de prisão temporária foi expedido. No sábado (19), ele alegou mal-estar e solicitou atendimento hospitalar, o que o impediu de comparecer à audiência de custódia, que deve ser realizada de forma virtual.
A Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17), visa cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em diversas cidades paulistas. A investigação abrange não apenas empresas de transporte, mas também licitações, articulações políticas e financiamento de campanias eleitorais, além de mirar a “Sintonia dos Gravatas”, um núcleo de advogados que supostamente atua em benefício da organização criminosa. Entre os nomes investigados, além de Leite, estão o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande, Danilo Marco Morgado Silva (PL).
Para mais detalhes sobre as acusações contra o ex-vereador, leia sobre as suspeitas que envolvem Milton Leite na investigação do PCC no transporte de SP.
Desde sua prisão, Milton Leite tem mantido sua posição de inocência. Em declaração à imprensa na saída para o IML na sexta-feira (18), ele afirmou: “Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito”. Questionado sobre arrependimentos, Leite foi enfático: “Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo.”
A família do ex-vereador também se manifestou. Em um vídeo publicado nas redes sociais no sábado (19), Alexandre Leite, um dos filhos de Milton Leite, classificou a medida como “extremamente injusta”. Ele expressou a esperança de que a situação seja esclarecida: “Vejo como uma boa oportunidade de passar essa história a limpo e colocar um ponto final, para que ela não seja reverberada a cada dois anos ou a cada período eleitoral.”
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