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Lula anuncia anulação de leilão de gás da Petrobras por preços até 100% maiores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira (2), a intenção de anular um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, realizado pela Petrobras. A decisão surge em meio a fortes críticas do chefe do Executivo à venda do produto às distribuidoras com preços que, segundo ele, chegaram a ser 100% superiores aos praticados na tabela oficial da estatal. A medida reflete a preocupação do governo com o impacto direto nos consumidores e a busca por estabilidade nos preços dos combustíveis.

Em entrevista à TV Record Bahia, o presidente enfatizou que a ação visa proteger o poder de compra da população, especialmente as famílias de baixa renda, diante de um cenário econômico desafiador e da influência de fatores externos no mercado de energia.

Controvérsia em Torno do Leilão de Gás

O presidente Lula classificou o certame como uma “cretinice” e “bandidagem”, afirmando que o leilão foi conduzido contra a vontade da própria direção da Petrobras. A principal queixa reside no ágio significativo, que elevou o custo do GLP para as distribuidoras, impactando diretamente o preço final pago pelo consumidor. Lula enfatizou que “o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, referindo-se aos reflexos de conflitos internacionais no mercado de energia.

A Petrobras, em sua página oficial na internet, informa que os preços de venda do GLP às distribuidoras estão inalterados desde novembro de 2024. No entanto, o mecanismo de leilões com alto ágio é interpretado como uma forma de alinhar o preço nacional ao mercado internacional sem a necessidade de um anúncio formal de reajuste na tabela. O governo federal tem demonstrado preocupação constante com o custo do botijão de gás, tendo lançado o programa Gás do Povo, que substituiu o antigo Auxílio Gás, visando garantir o acesso gratuito ao produto para famílias de baixa renda.

Desafios na Distribuição e Preços ao Consumidor

Lula reiterou sua crítica à disparidade entre o preço de venda do GLP pela Petrobras e o valor final cobrado do consumidor. “Quando a Petrobras vende um botijão de gás a R$ 37, ele não pode chegar a R$ 160 na casa do povo. Alguém está roubando”, declarou o presidente. Ele reconheceu os custos de distribuição, mas questionou a grande diferença entre o valor de saída da estatal e o preço final, especialmente após um leilão que resultou em um ágio de 100%.

Embora o Brasil seja um produtor, o mercado interno é suscetível às flutuações dos preços internacionais, que atualmente são influenciados por tensões geopolíticas, como o conflito no Oriente Médio. Essa dinâmica global adiciona uma camada de complexidade à gestão dos preços domésticos de combustíveis, exigindo intervenções estratégicas do governo para proteger o consumidor.

Medidas Governamentais para Conter a Alta de Combustíveis

Além do gás de cozinha, o presidente abordou a alta dos combustíveis de forma mais ampla, destacando o impacto da guerra no Irã sobre o preço internacional do petróleo e, consequentemente, do óleo diesel no Brasil. O país importa cerca de 30% do diesel que consome, tornando-o vulnerável às variações do mercado externo e à instabilidade global.

O governo tem agido para mitigar esses efeitos. Já foram adotadas medidas como a redução de impostos sobre combustíveis. A expectativa é que, em breve, seja publicada uma medida provisória (MP) que criará um subsídio para o diesel importado, oferecendo um desconto de R$ 1,20 por litro. “Pode ficar certo, o povo não vai pagar. Nós não vamos aumentar o óleo diesel”, afirmou Lula, criticando também a “bandidagem” de alguns postos que estariam aumentando preços de álcool e gasolina sem justificativa ou necessidade aparente.

Críticas às Privatizações e Planos de Recompra

Lula aproveitou a oportunidade para criticar as privatizações de ativos da Petrobras realizadas em governos anteriores, argumentando que elas limitam a capacidade do Estado de intervir e regular os preços. Ele mencionou a privatização da BR Distribuidora em 2019, lamentando que a recompra só seja possível a partir de 2029. “Nós não temos hoje distribuidora. Até uma empresa de gás que eu comprei em 2004, eles venderam. A empresa de gás, que a gente faz a distribuição, era uma empresa para a gente fazer a regulação do preço”, disse.

No mesmo sentido, o presidente revelou que está em estudo a recompra da Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves, localizada em São Francisco do Conde, Bahia, e privatizada pela Petrobras em 2021. Segundo Lula, a refinaria atualmente produz menos da metade de sua capacidade ideal. A retomada desses ativos seria estratégica para aumentar a produção nacional e reduzir a dependência de importações, especialmente do diesel, cujo preço internacional impacta diretamente o consumidor brasileiro.

A Agência Brasil contatou a Petrobras para obter esclarecimentos sobre as condições do leilão e aguarda posicionamento da estatal. O espaço segue aberto para manifestação.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Redação on-line

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