Opinião: Voto contra a valorização da GCM soa como jogada política na Câmara de Itaquaquecetuba
A Câmara Municipal de Itaquaquecetuba deu um passo importante para a valorização da Guarda Civil Municipal ao aprovar, por ampla maioria (17 votos a 2), o reajuste da Diária Especial por Atividade Complementar (DEAC). A hora extra voluntária dos GCMs saltará de R$ 14,17 para R$ 30 — uma correção significativa e mais do que necessária diante da realidade econômica atual.
A medida, de autoria do prefeito Eduardo Boigues (PL), não apenas reconhece o esforço dos agentes que atuam além de sua jornada regular, como também fortalece a presença da GCM nas ruas, especialmente em horários críticos e finais de semana.
No entanto, dois vereadores decidiram votar contra: Gustavo (PT) e Cesinha da Associação (PL).
Quando 17 dos 19 parlamentares entendem que a proposta é justa, necessária e alinhada à segurança pública, o voto contrário deixa de ser apenas divergência técnica e passa a levantar questionamentos políticos.
No caso do vereador Gustavo (PT), o posicionamento segue uma linha previsível de oposição ao governo municipal. Até aí, nada surpreendente: trata-se de um vereador que tradicionalmente adota postura crítica à gestão do prefeito.
O que chama mais atenção é o voto contrário de Cesinha da Associação (PL), integrante do mesmo partido do prefeito. Em um projeto que trata exclusivamente de valorização salarial da GCM — categoria amplamente apoiada pela população — a decisão soa menos como debate técnico e mais como movimento estratégico.
Nos bastidores políticos, cresce a leitura de que o voto contrário teria sido uma tentativa de demarcar posição e construir discurso próprio, mirando capital político futuro. Em outras palavras: marcar território.
A DEAC não é um privilégio novo. Foi criada em 2022 e permite que os guardas trabalhem voluntariamente em seus dias de folga, com limite de até 40 horas mensais. O que foi aprovado agora não é a criação de um benefício, mas a atualização de um valor que estava defasado.
Com a inflação acumulada nos últimos anos, manter a hora extra em R$ 14,17 beirava o desestímulo à adesão. O reajuste corrige essa distorção.
Se há preocupação com impacto orçamentário — argumento ventilado informalmente — ela não foi suficiente para convencer a esmagadora maioria da Casa. Tampouco foram apresentados dados concretos que demonstrassem risco fiscal iminente.
Votar contra sem apresentar alternativa viável pode ser interpretado como gesto simbólico — e não como responsabilidade fiscal real.
A segurança pública é uma das principais demandas da população de Itaquaquecetuba. A ampliação do patrulhamento e a valorização da GCM são pautas que transcendem disputas partidárias.
Quando o tema envolve remuneração de profissionais que atuam diariamente no enfrentamento da criminalidade, o debate deveria ser técnico e transparente — não estratégico.
O fato de o projeto ter recebido apoio maciço indica consenso sobre sua importância. O voto isolado de dois parlamentares, especialmente de um membro do próprio partido do prefeito, inevitavelmente ganha contornos políticos.
Em política, toda decisão comunica algo. Ao votar contra um reajuste que dobra o valor da hora extra da GCM, os vereadores Gustavo e Cesinha enviam uma mensagem clara — ainda que não declarada explicitamente.
Resta saber se essa mensagem é de responsabilidade fiscal fundamentada ou de cálculo político.
Enquanto isso, a GCM sai fortalecida com a aprovação do novo valor da DEAC, e a população aguarda que o debate público esteja cada vez mais alinhado com resultados concretos — e menos com movimentações estratégicas de bastidor.
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