Pouco mais de duas semanas após sua inauguração, o Hospital Veterinário Municipal Pró-Pet, anunciado com atendimento de urgência e emergência 24 horas, tornou-se alvo de diversas reclamações por parte de tutores. Os relatos incluem dificuldades para conseguir atendimento, falta de retorno em agendamentos e questionamentos sobre a disponibilidade do serviço de internação, gerando um cenário de insatisfação.
Um dos casos mais graves envolveu a morte de uma cachorra nos braços de sua tutora, momentos depois de deixar a unidade. A situação levanta dúvidas sobre a eficácia dos procedimentos e a comunicação entre o hospital e os responsáveis pelos animais, em um contexto onde a demanda por serviços veterinários públicos tem crescido significativamente.
A Prefeitura inicialmente divulgou que o Hospital Veterinário Municipal Pró-Pet operaria com atendimento de urgência e emergência durante 24 horas por dia. Essa informação também é reforçada pela fachada do edifício e por uma placa de trânsito indicando o funcionamento ininterrupto.
No entanto, a coordenadora do Núcleo de Bem-Estar Animal (Nubea), Margareth Cunha, esclareceu que o atendimento presencial de porta aberta ocorre das 7h às 22h. Para o período entre 22h e 7h, tutores que necessitem de assistência devem entrar em contato pelo telefone 153, responsável pela regulação dos casos junto ao hospital.
Essa explicação difere das declarações iniciais da administração municipal e de um médico-veterinário da Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar, que havia afirmado anteriormente que a nova unidade ampliaria o horário para 24 horas, permitindo que animais atropelados, por exemplo, fossem levados ao hospital durante a noite ou nos finais de semana.
Kerolyn Souza relatou ter levado sua cachorra ao hospital em meados de agosto, por volta das 21h30. Após uma inicial recusa de atendimento, a equipe decidiu medicar o animal com soro e analgésicos antes de liberá-lo.
Pouco depois de deixar a unidade, ainda na esquina do hospital, a cachorra veio a óbito nos braços da tutora. A coordenadora Margareth Cunha informou que um levantamento do atendimento foi realizado e que o animal foi medicado e estabilizado antes da alta, com a tutora orientada a retornar em caso de piora.
A morte foi classificada como uma “fatalidade”, e a conduta do veterinário foi considerada correta após análise. A Prefeitura afirmou que não poderia ir contra a avaliação do profissional que realizou o atendimento, reiterando a adequação do procedimento.
Outra tutora, Daniele Rozetti, buscou atendimento para sua cachorra, que possui câncer, e relatou dificuldades para agendar um retorno. Ela foi informada de que deveria utilizar o WhatsApp para marcação, mas não obteve retorno, impedindo a realização de consultas ou outros serviços.
Margareth Cunha reconheceu problemas no sistema de agendamento, atribuindo-os ao grande volume de mensagens recebidas, que chegou a 400 ou 500 por hora, causando até a queda do sistema por identificar o fluxo como spam. A Prefeitura está trabalhando para otimizar a comunicação.
Sobre a prioridade para animais com câncer, a coordenadora explicou que a classificação depende da condição apresentada no momento do atendimento, seguindo critérios de urgência e emergência. Um animal atropelado, por exemplo, pode ter prioridade sobre um paciente em tratamento oncológico, dependendo da gravidade do quadro atual.
Luana Perleberg relatou ter procurado o hospital para sua cachorra, diagnosticada com insuficiência renal grave, e que necessitaria de internação. Segundo a tutora, ela foi informada de que a unidade não dispunha do serviço naquele momento e foi orientada a procurar uma clínica particular.
A coordenadora Margareth Cunha contestou essa versão, afirmando que o hospital dispõe de internação e que havia animais internados na unidade. Após verificar o histórico, a orientação teria sido para que a tutora retornasse posteriormente, e não para que a cachorra fosse internada imediatamente.
A Prefeitura negou que haja orientação para encaminhar pacientes a clínicas particulares, exceto quando os tutores não atendem aos critérios socioeconômicos exigidos para utilizar o serviço. A coordenadora solicitou que a tutora entre em contato pelos canais oficiais para nova verificação, pois, da forma como o relato chegou à administração, “não procede”.
A demanda pelo hospital aumentou mais de 50% em relação à estrutura anterior, e as equipes trabalham continuamente durante o período de atendimento presencial, buscando melhorar os serviços de bem-estar animal oferecidos à população.
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