Imagem gerada com IA
A Polícia Federal (PF) intensifica as investigações sobre a atuação de influenciadores digitais no chamado “caso Master”, que apura possíveis ataques coordenados contra o Banco Central. No centro das novas diligências, o comunicador Léo Dias foi convocado para prestar depoimento, em um desdobramento que busca esclarecer a natureza de possíveis financiamentos e a relação entre o Banco Master e grupos de comunicação. A apuração visa determinar se houve aporte financeiro para distorcer fatos e influenciar a opinião pública após a liquidação da instituição financeira.
A PF agendou o depoimento de Léo Dias no âmbito do inquérito que investiga a suposta orquestração de ataques ao Banco Central nas redes sociais. A suspeita é que o Banco Master, após sua liquidação, tenha financiado a disseminação de narrativas desfavoráveis à atuação do órgão regulador. A oitiva, inicialmente marcada para uma quinta-feira, foi adiada. A defesa do comunicador informou que o acesso aos autos do processo ainda não foi concedido, e uma nova data está sendo definida pela Polícia Federal.
Os investigadores buscam compreender a extensão da relação entre o Banco Master e o grupo de Léo Dias. Questões cruciais incluem a existência de aportes financeiros do banco ao grupo e os motivos por trás de tais transações. A linha de investigação sugere que esses recursos poderiam ter sido utilizados para financiar uma campanha de desinformação, na qual influenciadores receberiam pagamentos do Banco Master para manipular a percepção pública sobre as ações do Banco Central no processo de liquidação da instituição.
As apurações da PF revelam uma teia de conexões empresariais que ligam os envolvidos. Thiago Miranda, proprietário da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, é apontado como o provável responsável pela contratação dos influenciadores. Dados da Receita Federal indicam uma ligação direta entre Miranda e Léo Dias. Thiago Miranda atua como sócio-administrador da Miranda Comunicação e também como administrador da Léo Dias Comunicação e Jornalismo S.A. Além disso, ele foi administrador da Léo Dias Comunicação e Jornalismo Ltda SCP VTG até o ano de 2025.
A proximidade entre as empresas é reforçada por um mesmo número de telefone, registrado tanto no CNPJ da Miranda Comunicação quanto no da Léo Dias Comunicação e Jornalismo S.A. Este número, em aplicativos de mensagens, está associado a um perfil com a identificação “Leo Dias de Comunicação – Financeiro”, o que levanta questionamentos sobre a gestão financeira e as interações entre as entidades. A assessoria confirmou que Thiago Miranda permanece como sócio do Grupo Léo Dias e que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, figura como investidor.
O pano de fundo da investigação é a liquidação do Banco Master, uma medida que teria motivado a suposta campanha de ataques digitais. O Banco Central, como órgão regulador do sistema financeiro nacional, é responsável por supervisionar e intervir em instituições que apresentem irregularidades ou risco à estabilidade. A suspeita é que a ação do Banco Master de supostamente financiar influenciadores visava desacreditar a decisão do Banco Central, criando uma narrativa alternativa e prejudicial à imagem da autoridade monetária.
A disseminação de informações distorcidas em redes sociais, se comprovada, representa uma grave interferência no ambiente regulatório e na confiança do público nas instituições financeiras. A PF busca desvendar a extensão dessa estratégia e identificar todos os envolvidos, desde os financiadores até os executores da campanha digital.
Com o adiamento do depoimento de Léo Dias, a Polícia Federal segue trabalhando na definição de uma nova data, enquanto a defesa busca acesso aos autos do processo. A continuidade das investigações promete lançar mais luz sobre as complexas relações entre o mercado financeiro, a mídia e o universo dos influenciadores digitais. O desfecho deste inquérito poderá estabelecer precedentes importantes sobre a responsabilidade de figuras públicas e empresas na veiculação de conteúdo em plataformas digitais, especialmente quando há indícios de manipulação e financiamento oculto.
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