O Dia das Mães costuma ser festejado de forma intensa no Brasil. A movimentação nas lojas para a compra de presentes tende a crescer em comparação com o ano passado, de acordo com importantes institutos de pesquisa. Os momentos felizes devem incluir o almoço do próximo domingo, dia 11, já que a refeição em família é uma das atividades mais citadas em levantamentos feitos em diferentes classes sociais.
Nesse contexto, a saúde mental das mães precisa ser priorizada. Uma forma de promover o equilíbrio é dividir tarefas domésticas de maneira justa entre todos os membros da família, permitindo que todos tenham tempo para atividades de lazer, autocuidado e desenvolvimento pessoal.
Essa abordagem alivia a carga de trabalho sobre um único membro e promove uma distribuição mais justa das responsabilidades, contribuindo para um ambiente mais harmonioso e respeitoso. “Mãe não precisa ser heroína. Precisa de parceria”, alerta a psicóloga da Hapvida em Limeira (SP), Lua Helena Moon Martins Cardoso.
Para a especialista, “ser mãe é uma dádiva, uma responsabilidade que transforma tudo. Também carrega consigo um sacrifício silencioso. Mas isso não significa, e nem deveria significar, abrir mão de si”.
Há avanços, mas a passos lentos. “Mãe não precisa virar sinônimo de esgotamento, de carregar o mundo nas costas sozinha, como se amar fosse suportar o insuportável sem dizer nada”, conta Lua Helena.
Segundo ela, “o problema não é o amor. É o piloto automático”. Em grande parte dos lares, a louça e a roupa suja são responsabilidades exclusivas da esposa.
“O boletim da escola não pode ser preocupação só dela. Se o jantar atrasa, quem sente culpa? E se, por acaso, sobra uma gota de energia, que eu percebo que é rara, ainda se espera que ela sorria e seja grata”, cita a psicóloga.
A frase “ser mãe é um dom” tem sido questionada, ao mesmo tempo em que recai sobre ela parte das mudanças nos dias atuais. “A mãe já cuidava dos filhos, da casa e do trabalho. Agora, também assume, em alguns lares, o cuidado com os pais idosos”, relata.
“O sorriso, muitas vezes, é um disfarce, pois, na verdade, o corpo implora por repouso e o coração só queria, por um instante, ser acolhido”, diz a psicóloga.
Mães devem reservar um tempo para atividades físicas, para a leitura ou para assistir a um filme. Conversas com uma amiga e até mesmo instantes de silêncio são indicados. Se necessário, a mulher deve buscar ajuda de uma profissional da área da Saúde.
Homens “parceiros reais”
“Ser mãe é uma tarefa coletiva, da casa, da família, do mundo. Homens não deveriam ser ‘ajudantes’, mas parceiros reais. Amor se escreve com atitudes. E educar um filho nunca foi tarefa só da mãe”, afirma.
Neste domingo, Lua Helena acredita que o maior presente não virá em formato de caixa. “Talvez ele esteja num gesto simples e raro: dividir de verdade. Estar, sem que ela precise pedir”, defende a psicóloga.
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