A ONG Recomeçar, que por 14 anos ofereceu acolhimento essencial a mulheres vítimas de violência doméstica com risco iminente de morte e seus filhos, anunciou o encerramento de suas atividades em Mogi das Cruzes. A decisão, que entrará em vigor no fim de 2026, ocorre após a Prefeitura municipal optar por não renovar o termo de colaboração com a entidade para o ano de 2027. O comunicado oficial da não prorrogação foi recebido pela ONG em 15 de setembro, gerando preocupação sobre a continuidade do suporte a um público vulnerável.
A interrupção do serviço levanta questionamentos sobre o futuro do atendimento às vítimas de violência na região, especialmente em um período em que a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Mogi das Cruzes ampliou seu funcionamento para 24 horas, resultando, segundo a ONG, em um aumento das ocorrências registradas. Enquanto a entidade manifesta apreensão, a administração municipal justifica a medida com base em uma análise de demanda e assegura a manutenção dos serviços por meio de outras parcerias.
A ONG Recomeçar, que mantém o serviço de acolhimento há 14 anos, expressou em ofício sua profunda preocupação com o encerramento das atividades. A entidade ressaltou que a decisão da Prefeitura coincide com o período em que a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Mogi das Cruzes passou a operar em regime de 24 horas. Segundo a associação, a ampliação do horário de funcionamento das Delegacias de Defesa da Mulher tem sido acompanhada por um aumento no número de ocorrências.
Apesar do fechamento em Mogi das Cruzes, a associação informou que suas unidades regional do Condemat e municipal de Jacareí continuarão em pleno funcionamento. A entidade enfatiza a importância de um serviço contínuo e especializado para mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade extrema.
A Prefeitura de Mogi das Cruzes explicou que a decisão de não renovar a parceria com a ONG Recomeçar foi tomada após uma análise detalhada da demanda pelo serviço de acolhimento. A administração municipal considerou a demanda baixa nos últimos meses, apresentando dados para fundamentar sua posição. Conforme a análise, em 2025, o serviço registrou 130 dias sem nenhum acolhimento.
Ainda em 2025, houve 116 dias em que, no máximo, cinco mulheres foram acolhidas. Em 2026, por sua vez, o serviço teve no máximo três pessoas acolhidas em 237 dias. A prefeitura afirmou que está em processo de reorganização das vagas disponíveis, buscando adequá-las à demanda atual e qualificar o atendimento oferecido às vítimas de violência.
Apesar do encerramento da parceria com a ONG Recomeçar, a Prefeitura de Mogi das Cruzes garantiu que o atendimento às mulheres em situação de violência será mantido e aprimorado por meio de outras colaborações. A intenção é expandir o número de vagas oferecidas pelo Condemat, passando de quatro para 10 a partir de janeiro de 2027. A administração municipal destacou que essa ampliação já está em fase de negociação, visando uma qualificação no atendimento.
A prefeitura assegurou que o município não encerrará o atendimento às mulheres em situação de violência, garantindo que nenhuma mulher ficará desassistida. Atualmente, não há nenhuma mulher acolhida nas quatro vagas do serviço regional do Condemat, e não houve acolhimentos nesse serviço desde julho. Além do acolhimento para mulheres em risco iminente de morte, a rede municipal oferece outros serviços de suporte, incluindo ações de prevenção nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), a Patrulha Maria da Penha e a Secretaria da Mulher.
Saiba mais sobre notícias de Mogi das Cruzes
Os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam um panorama desafiador para Mogi das Cruzes no que diz respeito à violência contra a mulher. Até 31 de julho de 2026, o município registrava 5.883 casos pendentes de violência contra a mulher. No mesmo período, foram contabilizados 1.920 novos casos de violência contra a mulher na cidade.
Em relação aos feminicídios, havia 10 casos pendentes até 31 de julho, sendo seis consumados e quatro tentados. No ano de 2026, foram registrados cinco novos casos, com três feminicídios consumados e dois tentados. Os dados do CNJ também indicam que 1.591 pedidos de medidas protetivas foram feitos até 31 de julho, dos quais 748 foram concedidos, evidenciando a persistência da demanda por proteção e apoio às vítimas na região.
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