Especialistas independentes da ONU cobraram que a Meta investigue se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional conteúdos ligados a um dos lados da disputa eleitoral no Brasil. O posicionamento coloca em pauta a atuação das gigantes de tecnologia durante o pleito e exige maior transparência das plataformas digitais.
O documento divulgado ressalta que as redes sociais atuam como atores fundamentais no debate democrático contemporâneo. A restrição indevida ao alcance de determinadas contas afeta diretamente o acesso à informação, prejudica a liberdade de associação e pode comprometer a lisura do processo eleitoral.
De acordo com os observadores internacionais, diversos episódios chamaram a atenção durante o período de campanha no país. Entre os incidentes relatados estão interrupções temporárias na conta de campanha de um dos candidatos e discrepâncias evidentes no engajamento do público.
As queixas também englobam diferenças registradas nos feeds dos usuários, na contagem de visualizações, no alcance geral e em restrições aplicadas a publicações no Instagram. Ferramentas interativas e de mensagens também foram citadas no monitoramento realizado por especialistas.
O relatório aponta ainda disparidades entre os principais partidos políticos na utilização de recursos tecnológicos avançados. Foram identificadas distinções na geração de imagens por inteligência artificial, nos resultados de busca de canais do WhatsApp e na distribuição de conteúdos voltados aos Stories dos candidatos.
Para os observadores, os algoritmos e as decisões automatizadas não devem atuar como árbitros invisíveis da discussão pública. As empresas responsáveis devem prestar contas sempre que houver indícios de desequilíbrio na distribuição da informação política.
A recomendação central direcionada à dona do Facebook exige uma reavaliação profunda de seus sistemas operacionais e diretrizes de moderação. O objetivo é verificar eventuais restrições desproporcionais e assegurar a correção imediata de impactos desiguais.
Os especialistas reforçam que, diante de qualquer suspeita de cerceamento da expressão política, as plataformas têm o dever de explicar os motivos técnicos, corrigir distorções e garantir canais efetivos de recurso para os afetados.
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