O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou uma operação na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes nesta sexta-feira (16). A ação visa apurar denúncias de que o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, estaria recebendo regalias indevidas enquanto cumpre prisão temporária na unidade.
A ofensiva conta com o suporte das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal. O foco das autoridades é verificar as condições de custódia do ex-parlamentar, após relatos de que ele estaria recebendo visitas de amigos e figuras políticas fora dos horários e dias estipulados pelo regulamento prisional, inclusive em períodos noturnos e finais de semana.
A operação, autorizada pela Justiça, busca localizar aparelhos celulares, analisar imagens de câmeras de monitoramento e coletar outros elementos que comprovem o suposto favorecimento. As diligências se estendem a outras celas da cadeia, ao 1º Distrito Policial e à residência de um carcereiro suspeito de facilitar as irregularidades.
O Gaeco investiga a prática de corrupção ativa e passiva. Paralelamente, a Corregedoria da Polícia Civil avalia a instauração de procedimentos administrativos para apurar a eventual participação de agentes públicos no esquema. O caso é acompanhado de perto pelo Ministério Público de São Paulo.
Milton Leite está detido desde 18 de setembro, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no setor de transporte público da capital paulista. Segundo as investigações, o ex-vereador teria controle direto sobre empresas do setor, incluindo a Transwolff, que estariam sob influência da organização criminosa.
A prisão temporária do ex-presidente da Câmara foi prorrogada pela Justiça por mais 30 dias na última quarta-feira (14). Além dele, outros nomes como o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande, Danilo Marco Morgado Silva, também figuram entre os investigados pela Polícia Civil.
Em meio às investigações, o escritório de Milton Leite, localizado em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, foi alvo de um furto no dia 20 de setembro. Criminosos invadiram o imóvel e subtraíram um HD contendo imagens do circuito interno de segurança, deixando para trás mais de R$ 19 mil em espécie e diversos documentos pessoais.
Em declarações públicas, Milton Leite nega todas as acusações, afirmando ser inocente e confiando no trabalho da Justiça para esclarecer os fatos. A defesa jurídica do ex-vereador, reforçada por manifestações de familiares, sustenta que o processo é uma oportunidade para encerrar as especulações que cercam sua trajetória política.
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