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Polícia prende casal em operação contra plataformas de apostas e golpes online

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação de grande escala contra plataformas digitais suspeitas de aplicar golpes por meio de jogos de cassino virtual e promessas de pagamentos por tarefas online. A ação resultou na prisão de um casal, entre três pessoas detidas, e visa desmantelar um esquema que movimentou dezenas de milhões em transações financeiras fraudulentas.

A investigação, que teve início após denúncias de consumidores, revelou a complexidade das fraudes e a extensão dos danos causados. Medidas de bloqueio patrimonial foram autorizadas pela Justiça, podendo atingir um valor significativo, sublinhando a gravidade dos crimes e o empenho das autoridades em combater a criminalidade digital.

Ação policial mira esquemas de apostas e golpes virtuais

A operação, batizada de Disque 151, foi conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), por meio da 3ª Delegacia da Divisão de Investigações Gerais (DIG). Os mandados de prisão foram direcionados a indivíduos apontados como operadores ocultos das plataformas, que atuavam de forma ilegal.

Além das prisões, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão. A ação da Polícia Civil de SP destaca a crescente preocupação com a proliferação de esquemas fraudulentos no ambiente digital, especialmente aqueles que exploram a promessa de ganhos fáceis e rápidos.

Mecanismos de fraude nas plataformas FortuneSlots e ThinkTV

As investigações tiveram início após reclamações de consumidores ao Procon sobre prêmios não pagos, que foram posteriormente analisadas pelo Ministério Público. A Polícia Civil identificou duas plataformas principais envolvidas nas fraudes: FortuneSlots e ThinkTV, cada uma com estratégias distintas para enganar os usuários.

A FortuneSlots operava como um cassino virtual, atraindo usuários com jogos de apostas e a promessa de altos ganhos. Os depósitos eram realizados via Pix, e pequenos pagamentos eram feitos inicialmente para incentivar novos e maiores investimentos. No entanto, ao tentar sacar valores significativos, os usuários enfrentavam obstáculos e exigências de novos pagamentos.

Já a ThinkTV prometia remuneração por tarefas simples, como assistir a vídeos, avaliar conteúdos e curtir páginas na internet. Para participar, os usuários precisavam se cadastrar e fazer um depósito inicial. Posteriormente, eram incentivados a transferir mais dinheiro para liberar supostos ganhos acumulados, mas os valores acabavam bloqueados, impedindo o resgate.

Rastreamento financeiro e bloqueio de bens milionários

A análise financeira realizada pelo Deic foi crucial para desvendar a extensão do esquema. Foram identificados R$ 38,5 milhões em transações bancárias monitoradas, sendo R$ 14,05 milhões com o fluxo rastreado pelos investigadores. Os recursos depositados pelos usuários eram direcionados para contas bancárias específicas, conhecidas como “contas-bolsão”, utilizadas para concentrar os pagamentos.

Em seguida, o dinheiro era redistribuído por meio de contas intermediárias, o que dificultava a identificação da origem e do destino dos recursos. Com base nessas evidências, a Justiça autorizou medidas de bloqueio patrimonial envolvendo seis pessoas físicas e cinco pessoas jurídicas, com um valor máximo estimado de R$ 154 milhões em bens e recursos que podem ser atingidos.

Cenário regulatório: a proibição federal de apostas

A operação ocorre em um momento de mudança no cenário regulatório das apostas no Brasil. Recentemente, em setembro, o governo federal proibiu a exploração e a oferta de apostas em todo o território nacional por meio de uma medida provisória. Essa proibição abrange tanto as apostas esportivas quanto os jogos de cassino online, incluindo aqueles oferecidos por empresas sediadas no exterior a pessoas no Brasil.

A medida também veda a intermediação e a publicidade dessas apostas, alcançando autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal. Foi estabelecido um período de transição para o encerramento das operações e procedimentos para a devolução dos valores mantidos pelos apostadores nas plataformas. Antes dessa medida, as apostas podiam operar legalmente com autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, mas a nova proibição não afeta outras modalidades lotéricas autorizadas por lei. Para mais informações sobre a regulamentação de apostas, clique aqui.

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