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Pesquisa Quaest aponta crescimento de indecisos e recuo de Flávio Bolsonaro

Uma nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada na última quarta-feira (15), revela um cenário dinâmico no panorama eleitoral, com destaque para o aumento expressivo de eleitores indecisos e a tendência de queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém sua liderança em patamar estável, a movimentação do eleitorado sugere um período de reavaliação e busca por alternativas, especialmente entre os segmentos da direita.

O levantamento aponta que o percentual de eleitores indecisos para o primeiro turno saltou de 5% em maio para 11% em julho. Esse crescimento coincide diretamente com a retração de Flávio Bolsonaro, que viu suas intenções de voto caírem de 33% para 28% no mesmo período. A pesquisa sugere que a revelação de conversas em que o senador cobrava dinheiro de um ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pode ter influenciado essa percepção.

Análise da pesquisa Quaest: indecisão e movimentação do eleitorado

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, observa que a perda de apoio de Flávio Bolsonaro não se traduziu em ganhos para o presidente Lula, apesar de uma melhora na avaliação do governo. Tampouco houve migração significativa para outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). A principal consequência, segundo Nunes, é o crescimento da indecisão.

Eleitores parecem estar atentos à melhora na avaliação do governo, mas não necessariamente se movem em direção a Lula. Ao mesmo tempo, distanciando-se de Flávio Bolsonaro, muitos ainda não encontram uma alternativa viável entre os demais candidatos de direita para a disputa eleitoral. Esse cenário complexo indica um eleitorado em busca de definições, com a campanha eleitoral prestes a iniciar.

Oportunidades e desafios para candidatos da direita

A pesquisa ressalta que a campanha eleitoral, com início previsto para 16 de agosto, será crucial para os candidatos de direita que ainda enfrentam um alto nível de desconhecimento. Nomes como Zema, Caiado e Renan Santos são pouco mencionados na pesquisa espontânea, onde os eleitores citam seus candidatos sem apresentação prévia de nomes. Na pesquisa estimulada, seus percentuais variam entre 2% e 4%.

Os dados da Quaest revelam que 44% dos entrevistados não conhecem Caiado, 50% desconhecem Zema e impressionantes 77% não sabem quem é Renan Santos. Felipe Nunes enfatiza que a campanha tem o poder de gerar grandes mudanças na opinião pública, seja pela performance em entrevistas e debates ou pelos embates com adversários. Este será um momento decisivo para que esses candidatos possam se apresentar e consolidar suas propostas.

Voto convicto: a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro

A análise do grau de convicção do voto evidencia a instabilidade em torno de Flávio Bolsonaro. Entre seus eleitores, o percentual dos que admitem a possibilidade de mudar de opinião subiu de 30% em junho para 37% em julho. Consequentemente, a parcela com decisão definitiva caiu de 70% para 62% no mesmo período.

Em contraste, os eleitores de Lula demonstram maior solidez em suas escolhas. A convicção de voto no presidente aumentou de 71% em junho para 77% em julho, enquanto o percentual dos que ainda podem mudar de opinião recuou de 29% para 23%. Nunes descreve o momento como um “aquecimento pró-Lula e um relativo esfriamento para Flávio”, indicando um processo de transição na opinião pública.

Aprovação do governo Lula: teto nas intenções de voto

A aprovação do governo Lula registrou um aumento de cinco pontos percentuais nos últimos quatro meses, passando de 43% em abril para 48% em julho. Esse crescimento é atribuído a iniciativas como o programa Desenrola Brasil, que ajudou a reduzir o endividamento, a expectativa em torno do fim da escala de trabalho 6×1 e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil.

Apesar da melhora na aprovação e da redução da rejeição, Felipe Nunes aponta que Lula parece ter atingido um “teto” em suas intenções de voto. O presidente se mantém em torno de 40% nas simulações de primeiro turno desde fevereiro e cerca de 45% nos cenários de segundo turno contra adversários simulados, índices que permanecem estáveis nos últimos cinco meses.

Redação on-line

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