Aconteceu no Brasil

Quem vigia os guardiões? O devido processo legal e os limites de atuação do STF

É inegável o protagonismo e a ascensão da “fama” do judiciário como um todo em nosso País, mas em especial do Supremo Tribunal Federal (STF). Fato é que, com maior politização da população e o aumento da polarização na Política, nos últimos anos, os brasileiros têm acompanhado com mais afinco as decisões na esfera legal e se interessado pelos temas jurídicos, até mesmo os mais técnicos.

Desde 2018, o País é palco de uma sequência de fatos políticos, de repercussão além fronteiras, como é o caso do Impeachment da então presidente da República Dilma Rousseff (PT); da prisão do hoje presidente, mas, há época, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e, mais recentemente, da inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL), líder da Direita e ex-presidente da República; e dos movimentos denominados de antidemocráticos e ligados ao liberal e a seus aliados.

A maior parte dos assuntos polêmicos listados nas linhas acima são balizados por temáticas jurídicas e passaram por apreciação na Alta Corte. O Supremo tem como função principal guardar a Constituição Federal. No entanto, por ser o Tribunal de “última instância”, não há nenhum outro órgão que pode rever suas decisões. E é aí onde mora um grande problema: afinal, quem vigia o vigia?

As discussões mais frequentes tangem à violação do princípio constitucional chamado de devido processo legal por parte do STF. Tal princípio tem como função inibir abusos que possam ser praticados em decisões administrativas e judiciais contra qualquer cidadão brasileiro.

O princípio do devido processo legal abrange outros princípios que norteiam todo o ordenamento jurídico: inércia do judiciário, que foi, diga-se de passagem, violado quando houve a instauração de inquéritos, por determinação de ministros do Suprema Corte; o princípio do contraditório e da ampla defesa, igualmente ultrajado em algumas oportunidades, ao ponto de advogados constituídos pelas partes não conseguirem ter acesso aos processos. E, não menos importante: o da individualização da pena, também transgredido quando os condenados pelo 8 de janeiro responderam de forma solidária por atos que, ao meu juízo, não abarcam elementos suficientes que sustentam as violações imputadas.

Estes só são alguns dos exemplos que é possível elencar neste espaço. Contudo, há um sem-número de violações a encetaduras constitucionais balizadas pelo princípio do devido processo legal e que foram vilipendiadas, por diversas vezes, nos últimos anos.

Na história mais recente de nossa República, o debate, vira e mexe, gira acerca de provável preferência política por parte dos ministros do Supremo, principalmente pelo fato de que muitos deles foram escolhidos por governos que são publicamente opositores a Bolsonaro e seu entorno. Como, então, ter a certeza de que indicações políticas não influenciam em decisões jurídicas de instâncias que não se pode questionar ou recorrer?

O único mecanismo criado por nossa Carta Magna passível de punir excessos praticados pelos ministros do STF são os crimes de responsabilidade, previstos no artigo 39 da lei 1.079/1950. Desde 2021, estão sendo protocoladas petições no Senado Federal (órgão competente para o julgamento), neste sentido. Todavia, os pedidos devem ser acolhidos pelo presidente da Casa, para irem a julgamento.

O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), inclusive, se manifestou, recentemente, sobre o assunto, dizendo que o Impeachment de ministros da mais Alta Corte do País causaria “problemas para o Brasil”. Agora, a pergunta: esse problema seria maior do que o que já temos – o da tentativa de criminalizar a divergência?

*Dra. Isis Sangy é advogada; pós-graduada em Direito Público, e em Direito Eleitoral; professora de Direito Eleitoral em cursos de pós-graduação e de extensão; presidente da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Suzano-SP (2025); e secretária da Comissão “OAB vai à Escola”, da OAB Subseção Suzano-SP

Jornal Sete

Jornal Sete: encontre as últimas notícias, multimídia, resenhas e opinião sobre o Alto Tietê, política, negócios, esportes, filmes, viagens, empregos, educação, imóveis, carros e muito mais

Recent Posts

Prefeita Mara Bertaiolli recebe diretora do CAF no Brasil e destaca retomada de parceria para acelerar obras

A prefeita Mara Bertaiolli recebeu na quinta-feira (03/04), no gabinete, a diretora representante do Banco…

16 horas ago

Seu Amigo Pet terá 2ª edição em Jundiapeba e inscrições para castração acontecem nos dias 10 e 11 de abril

A Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e…

16 horas ago

Seletiva para formação da equipe de atletismo para os Jogos da Melhor Idade acontece nesta terça-feira

A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer realiza na próxima terça-feira (08/04) uma seletiva para…

16 horas ago

Avenida Lourenço de Souza Franco, em Jundiapeba, recebe ação voltada à segurança viária

A avenida Lourenço de Souza Franco, em Jundiapeba, recebeu nesta quinta-feira (03/04) uma ação voltada…

16 horas ago

Nogueirão passa por manutenção para recuperação da qualidade do gramado

O gramado do estádio municipal Prefeito Francisco Ribeiro, o Nogueirão, está recebendo um trabalho intensivo…

16 horas ago

Mogi das Cruzes faz lançamento da campanha Imposto de Renda do Bem 2025

A Secretaria Municipal de Assistência Social promoveu, na tarde desta quinta-feira (03/04), o lançamento da…

19 horas ago