O jogador brasileiro Richarlison de Andrade publicou um vídeo em que voltou a acusar o senador Flávio Bolsonaro de envolvimento em uma disputa pela posse de um imóvel de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A contenda envolve valores milionários, acusações cruzadas e decisões judiciais que se arrastam ao longo dos últimos anos.
Segundo o atacante, os problemas começaram em 2020, período em que afirma ter investido R$ 10 milhões na compra da mansão por meio de uma empresa da qual é sócio. O atleta alega que o parlamentar demonstrou interesse na propriedade e, após a recusa de venda, teria se aliado ao advogado Willer Tomaz para retirar dele os direitos possessórios sobre a área situada no litoral fluminense.
Apresentação de documentos e tramitação na união
No material divulgado, o jogador respondeu a um desafio feito por Willer Tomaz e exibiu contratos de cessão de direitos possessórios, além de comprovantes de pagamentos feitos a antigos ocupantes. Conforme o relato do atacante, dos cerca de R$ 10 milhões aplicados, R$ 4,66 milhões foram destinados diretamente a antigos ocupantes do terreno federal, enquanto o restante englobou despesas com reformas e segurança.
O atleta também apontou divergências em processos administrativos da Secretaria do Patrimônio da União. Enquanto um pedido de regularização protocolado em setembro de 2021 permaneceu estagnado por meses, uma solicitação vinculada ao grupo adversário teria obtido conclusão em um único dia no mês de julho de 2022, gerando questionamentos sobre a celeridade do procedimento.
Versões divergentes e histórico judicial do caso
A disputa chegou efetivamente aos tribunais em 2022, quando a empresa M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. ajuizou uma ação de reintegração de posse contra a Sport 70, sociedade ligada a Richarlison. A defesa da empresa alegava legitimidade na área, enquanto o grupo do jogador sustentava a validade das negociações realizadas com os posseiros anteriores da região.
- Ação principal foi extinta em maio de 2023 sem análise de mérito devido a divergências societárias.
- Superior Tribunal de Justiça manteve entendimento favorável à parte ligada a Willer Tomaz.
- Processo judicial foi arquivado definitivamente em janeiro de 2026 após homologação de renúncia.
Posicionamento dos citados e desdobramentos atuais
A defesa e os representantes dos citados rejeitam veementemente as acusações levantadas pelo atleta da Seleção Brasileira. Willer Tomaz declarou que a empresa ligada ao seu grupo adquiriu legalmente os direitos sobre a ilha com base em escrituras registradas e certidões oficiais, afirmando que o jogador negociou com posseiros ilegítimos e responde a processos por suas declarações.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro nega qualquer tipo de participação comercial na disputa imobiliária e sustenta que sua menção no processo ocorreu estritamente na condição de testemunha. Enquanto isso, o coletivo Derrubando Muros apresentou uma representação ao Ministério Público Federal para apurar eventuais irregularidades na regularização do terreno, e o atacante afirma que continuará acionando a Justiça para reaver os valores investidos ou o imóvel.

