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Rioprevidência foi cotista exclusivo em fundos do Banco Master, aponta investigação da Polícia Federal

O RioPrevidência, fundo de previdência dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro, emergiu como o único cotista em dois fundos de investimento com vínculos ao Banco Master. Essa revelação faz parte de uma representação da Polícia Federal (PF) encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que levanta sérias questões sobre a gestão de recursos previdenciários e a atuação de instituições financeiras.

A investigação da PF foca na atuação do Banco Master na captação de recursos de regimes próprios de previdência social (RPPS), que incluem os fundos de servidores estaduais e municipais. A estrutura dessas aplicações, especialmente em fundos recém-criados ou com pouca trajetória, é vista com desconfiança pelas autoridades, indicando um possível esquema de gestão fraudulenta.

A atuação singular do RioPrevidência em fundos específicos

De acordo com o documento da Polícia Federal, o RioPrevidência figurou como o único cotista em dois veículos de investimento: o Arena Fundo de Investimento em Renda Fixa Título Público e o Horizonte I Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo. Esses fundos, segundo a PF, receberam aportes significativos do fundo de previdência estadual.

Os valores investidos pelo RioPrevidência nesses fundos foram de R$ 1,371 bilhão no fundo Arena e R$ 10 milhões no fundo Horizonte I. A exclusividade do RioPrevidência como cotista em fundos com tais características e volumes, especialmente em um contexto de investigação, é um dos pontos centrais da apuração.

Estrutura de investimentos sob escrutínio da Polícia Federal

A Polícia Federal detalha que a constituição desses fundos, com o RioPrevidência como cotista exclusivo ou majoritário, parece ter o objetivo de facilitar a captação de recursos previdenciários. A PF sugere que essas aplicações financeiras seriam objeto de gestão fraudulenta nos RPPS, desviando-se das normas e legislações aplicáveis.

O documento também menciona o fundo Revolution, criado em 9 de maio de 2025, no qual o RioPrevidência foi o primeiro cotista, com um aporte inicial de R$ 50 milhões em 23 de maio do mesmo ano. Embora este fundo tenha outros dois cotistas, o investimento total atingiu R$ 481 milhões, reforçando o padrão de grandes aportes do fundo estadual em estruturas que a PF considera suspeitas. A PF enfatiza que o volume captado, próximo a R$ 3,7 bilhões, torna o RioPrevidência um ator crucial nesse cenário.

Conexões entre figuras-chave e o Banco Master

A investigação aponta para uma relação próxima entre o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Mensagens analisadas pela PF revelam frequentes encontros entre os dois, ocorridos em diversas localidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Nova York. Em uma dessas ocasiões, em Nova York, o banqueiro teria custeado um jantar de R$ 60 mil e uma degustação de uísque avaliada em mais de R$ 5 milhões.

Essa proximidade é um elemento chave para a PF, que vê nas conversas um indicativo de que os investimentos do fundo estadual eram considerados essenciais para a captação de recursos do Banco Master, em um período em que a instituição financeira poderia estar enfrentando dificuldades de liquidez. A operação da PF, que teve Cláudio Castro como um dos alvos de busca e apreensão em 26 de março, busca esclarecer a natureza dessas relações e os investimentos suspeitos.

Implicações da investigação e a coparticipação alegada

A Polícia Federal argumenta que a “coparticipação” entre Daniel Vorcaro e Cláudio Castro era fundamental para a continuidade do escoamento de capital, de forma “totalmente avessa à legislação e normas atinentes aos Regimes Próprios”. Essa alegação sublinha a gravidade das suspeitas, que envolvem a má gestão de recursos destinados à aposentadoria dos servidores públicos.

O caso ressalta a importância da fiscalização rigorosa sobre os fundos de previdência e as instituições financeiras que os administram. A transparência e a conformidade com as regulamentações são cruciais para garantir a segurança e a integridade dos investimentos que impactam diretamente a vida de milhares de servidores. Para mais informações sobre a regulamentação de fundos de previdência, consulte o Banco Central do Brasil.

Redação on-line

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