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Terceira via: o desafio de romper a polarização nas eleições presidenciais

O cenário político brasileiro para as próximas eleições presidenciais continua a desafiar a consolidação de uma alternativa aos polos dominantes. Pesquisas recentes indicam que, apesar de uma parcela significativa do eleitorado se declarar independente, a chamada terceira via enfrenta dificuldades persistentes para ganhar tração e se apresentar como uma opção competitiva.

Este padrão de polarização tem sido uma constante nas disputas eleitorais desde a redemocratização, com os votos da população frequentemente divididos entre duas candidaturas antagônicas. A busca por um nome capaz de romper essa dinâmica se mostra um dos maiores desafios do atual panorama político.

A persistência da polarização no cenário eleitoral

Dados de uma pesquisa divulgada recentemente revelam que aproximadamente um terço dos eleitores brasileiros, cerca de 32%, se identifica como independente. Este grupo não se alinha nem com o lulismo, nem com o bolsonarismo, e tampouco se posiciona estritamente à esquerda ou à direita do espectro político.

Contudo, a mesma sondagem aponta que os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro mantêm uma liderança consolidada, distanciando-se dos demais pré-candidatos à Presidência. No cenário de primeiro turno, um dos líderes alcança 39% das intenções de voto, enquanto o outro figura com 33%.

Outros nomes, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, aparecem com 4% cada, e Renan Santos com 2%. Segundo especialistas, a polarização atualmente consome a maior parte das intenções de voto, refletindo uma “calcificação” na divisão do eleitorado entre os dois principais polos políticos.

O histórico da terceira via nas disputas presidenciais

O conceito de terceira via na política designa uma alternativa aos dois principais grupos em disputa, sendo um termo fluido e dependente do contexto. Não há uma definição ideológica rígida para o termo, além da promessa de enfrentar a polarização.

Um levantamento de dados eleitorais demonstra que, nas disputas presidenciais anteriores, candidatos que se posicionaram como alternativas não conseguiram romper o padrão de divisão de votos. Em 2014, Marina Silva chegou a se aproximar do segundo turno, mas a eleição foi novamente decidida entre os partidos que dominaram as disputas por duas décadas.

Em pleitos mais recentes, como os de 2018 e 2022, nomes como Ciro Gomes e Simone Tebet também ficaram distantes dos dois primeiros colocados. Os melhores desempenhos de candidatos da terceira via foram registrados em 2014, com 21,3% dos votos para Marina Silva, e em 2002, com 17,8% para Anthony Garotinho.

A primeira eleição direta após a ditadura militar, em 1989, já mostrava uma tendência à polarização. Apesar de 22 candidatos no primeiro turno, a disputa real se concentrou entre dois nomes, com um terceiro concorrente disputando a vaga no segundo turno. Para mais informações sobre o histórico eleitoral brasileiro, consulte o Tribunal Superior Eleitoral.

Desafios e estratégias dos pré-candidatos

A falta de coordenação entre as lideranças políticas é apontada como um fator que confunde o eleitorado que busca uma alternativa. Partidos frequentemente lançam múltiplos nomes ao mesmo tempo, diluindo a percepção de quem realmente representa a terceira via.

Pré-candidatos que buscam ampliar sua projeção nacional, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, muitas vezes acabam disputando o mesmo espaço de candidatura anti-Lula, em vez de se estabelecerem como opções verdadeiramente independentes e competitivas. Suas abordagens, embora com nuances, são percebidas por alguns como reproduções de um padrão reacionário em termos econômicos, sociais e ambientais.

Uma ex-ministra do Meio Ambiente, que disputou a Presidência em 2010 e 2014, afirmou que o termo “terceira via” simplifica o debate. Suas candidaturas, segundo ela, buscavam apresentar uma nova forma de pensar o desenvolvimento do país, focada em um modelo sustentável. No entanto, a polarização, que assumiu contornos mais destrutivos, interrompeu esse avanço em eleições posteriores.

Um empresário que fundou um partido e disputou a eleição de 2018 avalia que o espaço para candidaturas de centro encolheu. Ele sugere que não há interesse partidário em se diferenciar dos polos dominantes, uma vez que o objetivo principal é aumentar as bancadas federais e, consequentemente, obter mais recursos públicos, o que ele considera uma distorção do sistema democrático.

A descrença do eleitor e o voto útil

O desempenho limitado da terceira via reflete uma das principais características da política brasileira: a disputa acirrada entre dois campos ideológicos bem demarcados. Nos últimos 30 anos, as eleições seguiram um padrão de dois nomes fortes, com visões opostas de programas de governo e valores, o que dificulta o surgimento de alternativas.

Especialistas observam que, em pesquisas qualitativas, há uma descrença crescente no sistema político por parte do eleitorado que busca uma alternativa. Esse eleitorado, muitas vezes, está mais apático do que propriamente em busca de uma opção de centro moderado, preferindo, em alguns casos, um “outsider” ou alguém fora da política tradicional.

O contexto pós-2018, com a ascensão de um dos polos e o agrupamento de forças antagônicas no outro lado, intensifica a dificuldade para candidatos que tentam romper com essa divisão. A escalada de discursos radicais e o questionamento de instituições levam a uma unidade em torno de um dos polos, estreitando as opções eleitorais e incentivando o “voto útil” para evitar riscos maiores.

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