Moradores das cidades de Suzano e Santa Isabel, na região do Alto Tietê, têm expressado crescente insatisfação com os serviços de transporte público municipal. As queixas se concentram em problemas recorrentes como a demora excessiva entre as viagens, a superlotação dos veículos e a precariedade da manutenção da frota, impactando diretamente a rotina de milhares de passageiros.
A situação tem gerado um clamor por melhorias urgentes, com relatos que abrangem desde o desconforto térmico dentro dos ônibus até a falta de condições básicas de higiene e segurança, levantando questionamentos sobre a qualidade do serviço oferecido e a fiscalização por parte das autoridades locais.
Em Suzano, a experiência dos passageiros é marcada por um cenário de desconforto e insatisfação. Usuários relatam que o calor intenso dentro dos ônibus é um problema constante, chegando a causar mal-estar em alguns indivíduos. O auxiliar administrativo Thomas Lucas, por exemplo, ressaltou a urgência de melhorias, mencionando que o calor intenso chega a causar mal-estar em passageiros. A falta de ar-condicionado, não previsto no contrato atual da concessionária, agrava a situação, especialmente em períodos de altas temperaturas.
Além do calor, a infraestrutura interna dos veículos também é alvo de críticas. Passageiros mencionam bancos quebrados e condições gerais que não condizem com o valor das tarifas cobradas. A atendente de telemarketing Thainá Rodrigues, por exemplo, destaca que, apesar dos valores considerados altos, a qualidade do serviço é “péssima”. A demora na circulação dos ônibus, por sua vez, leva muitos a buscar alternativas como vans, que nem sempre atendem plenamente às necessidades de deslocamento. A atendente Bárbara Santos descreveu a situação como “complicada”, indicando que a busca por vans não supre totalmente a demanda.
A cidade de Santa Isabel enfrenta desafios particulares relacionados à idade de sua frota de ônibus e à distribuição dos serviços. O município possui a frota mais antiga entre as seis cidades do Alto Tietê que forneceram dados, com uma média de aproximadamente oito anos para seus 16 veículos em operação, aproximando-se do limite de dez anos previsto para a vida útil dos ônibus. Enquanto outras cidades da região, como Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes, já implementaram ou estão em processo de renovação, Santa Isabel não tem previsão para tal.
As reclamações dos moradores de Santa Isabel se estendem aos horários de circulação, que são considerados insuficientes, especialmente nos finais de semana, quando há apenas dois horários de transporte. Essa limitação impacta significativamente a mobilidade dos cidadãos. O professor Gledson Santos, morador da cidade, reforçou as queixas sobre a escassez de horários nos finais de semana e as condições mecânicas dos veículos, que preocupam especialmente os idosos.
Há também uma percepção de disparidade na qualidade dos veículos: ônibus mais novos e equipados, incluindo Wi-Fi, seriam destinados às rotas centrais, enquanto os bairros mais afastados e rurais continuam a ser atendidos por veículos mais antigos, com menos conforto e limpeza, e intervalos de viagem consideravelmente longos. A estilista Cynthia Mariah detalhou a diferença entre a frota nova, que circula na região central com mais comodidades, e os veículos mais antigos que atendem os bairros rurais, carecendo de limpeza e modernidade. Ela também pontuou os longos intervalos entre as viagens, como a espera de horas entre um ônibus e outro no período noturno.
Diante das crescentes reclamações, as prefeituras foram procuradas para esclarecimentos. A Prefeitura de Suzano, por meio de nota, informou que não possui registros formais de queixas sobre catracas ou bancos danificados, mas se comprometeu a verificar as condições da frota. A administração municipal esclareceu que o contrato vigente com a concessionária não contempla a instalação de ar-condicionado nos ônibus, justificando o problema do calor.
Em relação às queixas sobre o transporte complementar e a demora dos ônibus, a Prefeitura de Suzano afirmou que as demandas precisam ser formalizadas para que a Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana possa analisar e implementar os ajustes necessários. Sobre o valor da passagem, foi informado que a tarifa foi reajustada para R$ 6,30 no início do ano, um aumento de 5% baseado na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os canais para denúncias e sugestões incluem os telefones 156 e 0800-774-2007, o site oficial e o atendimento presencial. Para mais informações sobre mobilidade urbana e notícias da região, acesse o portal g1.globo.com. Por outro lado, a Prefeitura de Santa Isabel não havia retornado aos questionamentos da reportagem até a última atualização.
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