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Tributação de fortunas: Durigan impulsiona debate global em reuniões do G7 em Paris

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou de reuniões preparatórias para a cúpula do G7 em Paris, França, onde defendeu ativamente o avanço da agenda de justiça fiscal. Em um evento paralelo com acadêmicos e políticos franceses, Durigan expressou forte apoio à implementação de um imposto mínimo sobre os ultrarricos em escala global, citando a reforma fiscal aprovada no Brasil em 2025 como um modelo inspirador para essa iniciativa.

Apesar de a tributação de grandes fortunas não figurar entre as prioridades oficiais da reunião de ministros das Finanças do G7 – grupo composto pelas sete maiores economias desenvolvidas, incluindo Estados Unidos, Alemanha e Japão –, o tema ganhou destaque em um colóquio promovido pela revista Le Grand Continent. A participação de Durigan ao lado do economista Gabriel Zucman, diretor do Observatório Fiscal Internacional, foi crucial para trazer a discussão à tona, ressaltando a relevância do assunto no cenário econômico atual.

Tributação de fortunas: O debate global em pauta

O ministro Dario Durigan enfatizou a importância de se debater a tributação de super-ricos, comparando-a a outras discussões sociais relevantes. Ele se mostrou “muito disposto a levar esse debate” e afirmou ser “o primeiro a topar” caso haja espaço para discutir justiça tributária na agenda do G7. A proposta central em discussão, elaborada pelo economista Gabriel Zucman, sugere um imposto mínimo global de 2% sobre a fortuna de bilionários com patrimônio superior a US$ 100 milhões, uma iniciativa que Zucman tem desenvolvido em colaboração com o Ministério da Fazenda desde a presidência brasileira do G20 em 2024.

A relevância do tema é amplificada pelo contexto de crescente desigualdade econômica e pela busca por mecanismos que promovam uma distribuição de renda mais equitativa. A defesa de Durigan reflete uma postura ativa do Brasil em influenciar a agenda econômica internacional, buscando soluções para desafios globais por meio de cooperação e diálogo entre as nações.

O modelo brasileiro como referência internacional

O Brasil tem sido apontado como um exemplo de sucesso na implementação de medidas de justiça fiscal. Em 2025, o país aprovou uma reforma que estabelece um imposto mínimo progressivo de até 10% sobre grandes fortunas, uma medida que, segundo estimativas da Fazenda, impactará 142 mil pessoas. Este avanço doméstico é visto como um precedente importante para o progresso da discussão em nível global, apesar da resistência de algumas nações, notadamente os Estados Unidos.

No cenário internacional, os progressos são mais lentos. A França, apesar de ser considerada na vanguarda do debate, teve um projeto de lei semelhante, que previa um imposto de 2% ao ano sobre patrimônios superiores a € 100 milhões, rejeitado pelo Senado no ano anterior. Contudo, outros países europeus, como Espanha, Reino Unido, Holanda e Bélgica, juntamente com o estado americano da Califórnia, estão analisando propostas para aumentar a tributação dos ultrarricos, sinalizando um interesse crescente na pauta.

Desafios e prioridades na agenda do G7

Em um cenário de multilateralismo fragilizado e tensões geopolíticas, a presidência francesa do G7 tem optado por focar em temas mais consensuais. Questões como a emergência de desbloqueio do Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de hidrocarbonetos, e os impactos de conflitos em outras regiões, como o Oriente Médio, têm recebido maior atenção. Durigan destacou a importância de ouvir as perspectivas de outros ministros e lideranças sobre o impacto desses conflitos, defendendo “subsídios limitados” aos combustíveis para mitigar os efeitos da crise energética.

Essa abordagem cautelosa reflete a complexidade de se avançar em pautas que geram divergências significativas entre os membros do G7. A busca por consenso em um ambiente de múltiplos desafios globais exige uma gestão cuidadosa das prioridades, equilibrando a necessidade de abordar questões urgentes com a ambição de promover reformas estruturais de longo prazo.

Foco em investimentos e minerais críticos no Brasil

Além da discussão sobre justiça fiscal, o Brasil concentra suas atenções em Paris em dois outros tópicos estratégicos: a atração de investimentos estrangeiros e o acesso a minerais críticos. Durigan ressaltou que fóruns como o G7 são oportunidades valiosas para apresentar as melhorias na situação econômica brasileira, destacando os números macroeconômicos positivos que o país tem demonstrado.

A recente aprovação na Câmara dos Deputados do novo marco regulatório de terras e minerais críticos é vista como um fator impulsionador para investimentos em um setor estratégico para a economia digital e para o desenvolvimento da indústria nacional. O ministro argumentou que é fundamental oferecer segurança jurídica, com procedimentos céleres e seguros, para atrair o interesse significativo que existe nessa área. Para mais informações sobre as políticas econômicas do Brasil, visite o site oficial do Ministério da Fazenda: Ministério da Fazenda.

Nesta terça-feira, antes de retornar a Brasília, o ministro Durigan terá um encontro agendado com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), cuja sede está localizada em Paris. Este encontro sublinha a importância das discussões sobre energia e recursos naturais no contexto das relações internacionais e da economia global.

Redação on-line

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