Um vídeo que viralizou nas redes sociais, sugerindo o consumo de uma substância ilícita durante um ato pró-Lula na Avenida Paulista, em São Paulo, foi categoricamente desmentido por checagens de fatos. As imagens, amplamente compartilhadas em plataformas como o X (antigo Twitter) e grupos de WhatsApp, foram associadas de forma enganosa ao evento político ocorrido no último domingo, 11 de fevereiro.
A disseminação do conteúdo gerou debate e confusão, levando à necessidade de esclarecimento sobre a veracidade da ligação entre o vídeo e a manifestação. A apuração revelou que a gravação já circulava na internet antes da realização do protesto, configurando um caso clássico de desinformação através da recontextualização de material antigo.
A circulação do vídeo e a alegação enganosa
O material em questão mostra uma jovem de cabelo vermelho, acompanhada por outras duas pessoas, sentada no chão em um ambiente que aparenta ser aberto. Durante a gravação, a mulher inala um pó branco que visualmente se assemelha a cocaína. A rápida viralização do vídeo foi impulsionada por páginas brasileiras que o republicaram com molduras de texto, como “Militantes usando substâncias supostamente ilícitas em manifestação”, criando uma associação direta e falsa com o ato político na Avenida Paulista.
Essa prática de adicionar legendas ou contextos enganosos a vídeos preexistentes é uma tática comum na propagação de fake news, visando manipular a percepção pública e desacreditar movimentos ou figuras políticas. A velocidade com que tais conteúdos se espalham, especialmente em aplicativos de mensagens e redes sociais, torna a checagem de fatos essencial para combater a desinformação.
A cronologia da desinformação
A principal evidência que desmascara a alegação é a data de circulação original do vídeo. Contrariando a narrativa de que as imagens seriam do ato pró-Lula de 11 de fevereiro, verificou-se que o vídeo já estava disponível na internet antes mesmo da manifestação. Uma conta baseada na Argentina, por exemplo, publicou o conteúdo em 10 de outubro do ano anterior, ou seja, meses antes do evento na Paulista.
Essa discrepância temporal é crucial para identificar a falsidade da informação. A recontextualização de vídeos antigos para criar narrativas falsas sobre eventos atuais é uma estratégia recorrente de desinformação, que explora a falta de verificação por parte dos usuários e a rapidez com que conteúdos são compartilhados sem análise crítica.
O rastro digital da gravação
A investigação sobre a origem do vídeo revelou que ele foi compartilhado em diferentes contextos políticos e geográficos. A conta argentina que o publicou em outubro o fez com um comentário de cunho liberal, criticando políticas sociais e governamentais. Posteriormente, uma usuária chilena, que se identifica como “nacionalista” e “anticomunista”, também compartilhou o mesmo vídeo, associando-o a um protesto pró-Palestina em seu país.
Essa multiplicidade de contextos em que o vídeo foi inserido demonstra a maleabilidade da desinformação e como um mesmo conteúdo pode ser adaptado para servir a diferentes agendas políticas. Até o momento, não foi possível determinar com precisão o local e a data exata da gravação original, nem a identidade da mulher que aparece nas imagens ou a natureza exata da substância inalada, o que reforça a cautela necessária ao consumir e compartilhar informações online. Para mais checagens e combate à desinformação, visite Fato ou Fake.
