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Jaques Wagner promete provar inocência após STF retirar sigilo de investigação

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que irá “provar a inocência” nas investigações que o envolvem no contexto das supostas fraudes bilionárias do Banco Master. A declaração foi feita durante uma entrevista, um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo de uma decisão que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, a qual mirou o parlamentar.

A medida do STF, que veio a público nesta semana, permite o acesso a informações cruciais para o avanço do inquérito. Na época da autorização da operação, em junho, Wagner exercia a função de líder do governo no Senado, o que adiciona uma camada de relevância ao desdobramento.

Supremo Tribunal Federal retira sigilo de investigação

Nesta quinta-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, foi o responsável por retirar o sigilo da decisão que, em junho, autorizou a 9ª fase da Operação Compliance Zero. Esta etapa da investigação teve como um de seus alvos o senador Jaques Wagner. A decisão de Mendonça permitiu que a Polícia Federal acessasse dados de celulares tanto de Wagner quanto de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.

A quebra do sigilo é um passo significativo, pois as autoridades buscam elementos que possam esclarecer as tratativas entre os investigados. A Polícia Federal havia solicitado o monitoramento dos aparelhos, argumentando que as informações contidas neles poderiam ser fundamentais para o progresso da investigação, dada a natureza das comunicações realizadas.

A defesa de Wagner e o foco nas eleições

Em sua declaração a uma emissora de rádio baiana, Jaques Wagner se mostrou “tranquilo” e reiterou sua confiança na capacidade de demonstrar sua inocência. O senador também destacou seu foco nas próximas eleições de outubro, onde buscará a reeleição para o Senado. Ele mencionou que o inquérito, naturalmente, demanda tempo para ser concluído.

O parlamentar relembrou que, em 2018, quando disputou sua primeira cadeira no Senado, também foi alvo de investigações relacionadas a obras na Arena Fonte Nova, em Salvador, mas não houve condenação por irregularidades. Wagner enfatizou que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal têm total liberdade para conduzir suas apurações.

Detalhes da investigação e o monitoramento de celulares

A Polícia Federal justificou o pedido de monitoramento dos celulares de Jaques Wagner e Augusto Lima com base na constatação de que as “tratativas sensíveis” entre o grupo investigado eram frequentemente realizadas por chamadas de voz, áudios ou encontros presenciais, modalidade que dificulta o registro escrito. Os investigadores apontaram que o próprio Augusto Lima, ao repassar informações importantes ao parlamentar, optava por áudios ou ligações telefônicas, enviando documentos apenas após a discussão oral do conteúdo principal.

O ministro André Mendonça também considerou o suposto risco de vazamento das investigações. Segundo apuração da TV Globo, no mesmo dia em que a PF apresentou os pedidos de busca e apreensão e monitoramento, o ministro recebeu uma solicitação de reunião de um dos alvos, que seria o próprio Jaques Wagner. A PF argumentou que o monitoramento era crucial para preservar a integridade da investigação, citando evidências de “monitoramento sistemático das ações de investigadores e autoridades” pela organização criminosa em fases anteriores da Operação Compliance Zero.

O contexto da Operação Compliance Zero

A 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve Jaques Wagner e Augusto Lima como alvos, investiga um complexo esquema bilionário que envolve supostas fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. Este esquema estaria ligado ao Banco Master, cujo comando é atribuído a Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal levanta a hipótese de que Jaques Wagner teria atuado em defesa dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional, em troca de vantagens indevidas. Entre as supostas vantagens, estariam um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e repasses financeiros a empresas supostamente ligadas a familiares do parlamentar. Em sua defesa, Wagner negou ter agido “em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira” e afirmou que o apartamento em questão nunca chegou a integrar seu patrimônio. A imprensa internacional tem destacado que as suspeitas envolvendo o senador aproximam o escândalo do caso Master do governo federal. O Supremo Tribunal Federal é a mais alta corte do poder judiciário brasileiro e tem um papel fundamental em casos de repercussão nacional.

Redação on-line

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