A Polícia Federal (PF) conduz atualmente a análise de uma proposta de delação premiada apresentada por Virgílio de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O ex-gestor, que se encontra detido no Paraná desde novembro de 2025, busca colaborar com as autoridades após admitir o envolvimento em práticas ilícitas durante o exercício de suas funções no órgão federal.
delacao: cenário e impactos
Caso a corporação valide os termos da colaboração, o material será encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado atua como relator das investigações decorrentes da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades sistêmicas na gestão de benefícios previdenciários. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também será consultada antes de qualquer decisão sobre a homologação do acordo.
Conexões entre o INSS e o Banco Master
Investigadores consideram o depoimento de Virgílio de Oliveira Filho um elemento estratégico para a elucidação do esquema. Por ter ocupado a chefia da área jurídica do INSS, o ex-procurador detinha informações detalhadas sobre a estrutura operacional das fraudes, incluindo a possível participação de agentes políticos no favorecimento de entidades privadas.
Um dos pontos centrais da proposta de delação envolve o Banco Master. A instituição é apontada como protagonista em manobras fraudulentas relacionadas a empréstimos consignados, modalidade de crédito cujas parcelas são retidas diretamente da folha de pagamentos de aposentados e pensionistas. Este relato conecta as investigações do INSS às apurações conduzidas sobre o banco no STF.
A suposta medida provisória de favorecimento
O conteúdo apresentado pelo ex-procurador sugere que, durante a gestão de Jair Bolsonaro, houve a edição de uma medida provisória que teria beneficiado diretamente a instituição financeira. O dispositivo, apelidado internamente por servidores do INSS como “MP do Master”, teria facilitado a execução de contratos de empréstimo consignado em condições vantajosas para o banco.
Paralelamente, o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, também negocia uma colaboração premiada com a Polícia Federal. Vorcaro encontra-se preso preventivamente desde março, após ser alvo da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades em transações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e fundos de investimento.
Desdobramentos da Operação Sem Desconto
A prisão de Virgílio de Oliveira Filho ocorreu em 13 de novembro de 2025, durante a quarta fase da Operação Sem Desconto. Na ocasião, a PF identificou que o ex-procurador teria recebido cerca de R$ 11,9 milhões por meio de contas e empresas vinculadas à sua esposa, a médica Thaísa Hoffmann, que também foi detida e atualmente cumpre prisão domiciliar.
A investigação aponta que outros nomes de peso do alto escalão do INSS também foram alvos da operação. Entre os detidos na mesma fase estão Alessandro Stefanutto, ex-presidente do órgão, e André Fidelis, ex-diretor de Benefícios, que permanecem sob custódia das autoridades enquanto o processo segue em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

