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Mogi das Cruzes enfrenta alta perda de água; Suzano se destaca como modelo nacional

Um levantamento recente do Instituto Trata Brasil expõe um cenário contrastante na gestão hídrica de municípios paulistas. Enquanto Mogi das Cruzes enfrenta um desafio significativo com um dos maiores índices de perda de água no estado, a cidade de Suzano se destaca como um exemplo de excelência, registrando a menor taxa de desperdício em todo o Brasil. Os dados, que fazem parte do estudo “Perdas de Água 2026”, revelam a urgência de investimentos e estratégias eficazes para garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos.

Cenário alarmante em Mogi das Cruzes e o desafio das metas federais

Mogi das Cruzes figura com o segundo maior índice de perdas na distribuição de água em São Paulo. De acordo com o estudo do Instituto Trata Brasil, impressionantes 47,34% da água tratada na cidade são perdidos antes mesmo de chegarem aos consumidores. Este percentual coloca o município em uma posição preocupante, ocupando o 67º lugar no ranking nacional entre as 100 cidades mais populosas do país.

A situação em Mogi das Cruzes está em desacordo com as metas estabelecidas pelo Ministério das Cidades para a redução de perdas. As diretrizes federais preveem que, até 2025, os municípios devem ter perdas de até 35%. Para os anos seguintes, entre 2026 e 2032, a meta é de 30%, e a partir de 2033, o objetivo é atingir no máximo 25% de perdas. Mogi das Cruzes é a única cidade do Alto Tietê analisada que não cumpre a meta para 2025. O Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) não se pronunciou sobre os dados até a última atualização da reportagem.

Suzano: um modelo de gestão hídrica no país

Em contraste direto com Mogi das Cruzes, Suzano apresenta um desempenho exemplar na gestão de seus recursos hídricos. A cidade registrou o menor índice de perda de água do Brasil, com apenas 1,27% de desperdício na distribuição. Este feito coloca Suzano na liderança do ranking nacional, superando municípios que são frequentemente citados como referência em saneamento, como Santos (5,35%) e Goiânia (11,45%).

O município de Suzano está entre os 12 dos 100 mais populosos do país que não apenas atenderam, mas superaram as metas federais, sendo considerado um padrão de excelência em 2024. A eficiência na distribuição de água em Suzano reflete um investimento médio por pessoa de R$ 123,63, superior ao de Mogi das Cruzes (R$ 58,63), e se traduz em um atendimento de água de 99,4% e de esgoto de 94,37%.

Itaquaquecetuba e o panorama regional de perdas

Outra cidade do Alto Tietê incluída no levantamento, Itaquaquecetuba, registrou um índice de perda de água de 29,36%. Este valor a posiciona na 13ª colocação no ranking paulista e na 54ª posição no cenário nacional, entre os 100 municípios mais populosos. Embora o índice seja significativamente menor que o de Mogi das Cruzes, ainda indica a necessidade de aprimoramentos para atingir as metas federais mais rigorosas.

Itaquaquecetuba se destaca pelo atendimento de água de 100%, mas o tratamento de esgoto ainda é um desafio, com apenas 19,39% de cobertura. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), responsável pelo saneamento na cidade, não forneceu um posicionamento sobre os dados até o momento.

Causas e soluções para a redução do desperdício de água

A presidente do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, enfatiza que o país enfrenta desafios persistentes na redução das perdas de água. Ela aponta que o desperdício ocorre por diversas razões, incluindo vazamentos na infraestrutura, furtos de água, erros de medição e ligações clandestinas, popularmente conhecidas como “gatos”.

Para reverter esse quadro, Pretto destaca a importância de um plano estruturado de redução de perdas. Isso envolve investimentos contínuos em tecnologia para a rápida identificação e conserto de vazamentos, além de ações para coibir os furtos. A conscientização da população sobre a importância do uso responsável da água de qualidade também é fundamental para garantir a sustentabilidade do recurso.

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