O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou nesta sexta-feira (19) em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, marcando uma intensificação das articulações políticas em um estado crucial para as eleições. A visita ocorre em um momento de indefinição sobre o palanque que o petista terá para a disputa governamental deste ano, um cenário que adiciona complexidade à estratégia eleitoral do partido.
Minas Gerais, com seus 16,7 milhões de eleitores, é historicamente conhecido por sua influência decisiva nos pleitos presidenciais, com a máxima “Quem ganha em Minas, ganha no Brasil” sendo confirmada em todas as eleições desde a redemocratização. A agenda do presidente incluiu compromissos em Belo Horizonte e Divinópolis, esta última cidade sendo um reduto eleitoral do senador Cleitinho (Republicanos), que lidera as pesquisas para governador e é um nome de destaque na oposição ao governo federal.
A busca por um palanque em Minas Gerais
A definição de um candidato forte para o governo de Minas Gerais tem sido um desafio para o Partido dos Trabalhadores. Ao longo do ano passado, a aposta principal do presidente Lula recaiu sobre o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG). No entanto, após meses de expectativa e indefinição, Pacheco anunciou sua decisão de não concorrer ao cargo e de se afastar da vida pública, deixando uma lacuna na estratégia do PT.
Diante dessa nova realidade, dois nomes emergiram como potenciais candidatos para encabeçar o palanque de Lula no estado. São eles Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte e já pré-candidato ao governo, e Josué Gomes da Silva (PSB), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O presidente do PT, Edinho Silva, tem mantido diálogos com ambos para avaliar as melhores opções.
Cenário político para a candidatura governamental
Nos últimos dias, o nome de Gabriel Azevedo tem ganhado força nas discussões internas do PT, apesar de certa resistência por parte do diretório estadual do partido. A avaliação dos apoiadores de Azevedo é que sua candidatura poderia atrair um eleitorado mais amplo, menos polarizado entre a direita e a esquerda, além de apresentar um perfil mais jovem, o que poderia ser um diferencial na campanha.
Além das opções de aliança, o PT também considera a possibilidade de lançar uma candidatura própria. Nomes como os deputados Reginaldo Lopes e Rogério Correia estão sendo testados em pesquisas internas. Outra alternativa seria a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). Contudo, Marília lidera as pesquisas para o Senado, e tanto ela quanto o partido demonstram preferência por uma disputa no Legislativo, o que torna a definição do candidato ao governo ainda mais complexa.
Desafios para a oposição em Minas
O campo da oposição ao governo federal também enfrenta seus próprios desafios na montagem de um palanque competitivo em Minas Gerais. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) tem encontrado dificuldades, especialmente com o atual governador Romeu Zema (Novo), que, embora aliado de Jair Bolsonaro em 2022, tem se posicionado como uma alternativa para a Presidência da República nas próximas eleições, inclusive em relação a Flávio.
Apesar de um alinhamento ideológico inicial, Zema foi um dos primeiros a criticar Flávio Bolsonaro após revelações sobre conexões do parlamentar com determinadas figuras. Em um encontro recente em Belo Horizonte, o primeiro desde as críticas públicas de Zema, os dois políticos buscaram um tom mais cordial, discutindo a união da direita para um eventual segundo turno contra o PT. O grupo político de Zema lançou o atual vice-governador, Mateus Simões (PSD), enquanto o PL cogita a candidatura de Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), para o governo.
O papel de Cleitinho na disputa estadual
Em meio a essas articulações, o senador Cleitinho (Republicanos) emerge como o líder nas pesquisas para o governo de Minas Gerais. Colega de Flávio Bolsonaro na oposição a Lula no Senado, Cleitinho representa um fator importante na equação política estadual. Uma ala do PL tem trabalhado para construir uma chapa encabeçada por Cleitinho, com Roscoe como vice, visando fortalecer a frente de oposição. No entanto, o cenário permanece em aberto, com intensas negociações e movimentações estratégicas que prometem moldar o futuro político de Minas Gerais.

