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Tribunal de Contas do Rio de Janeiro apura aporte milionário da Cedae em banco sob mira da PF

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) deu início a um processo de investigação detalhada sobre um aporte financeiro de R$ 90 milhões realizado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) no Banco Digimais. Esta instituição bancária, por sua vez, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na última terça-feira, 23 de junho, que apura suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro.

A aplicação dos recursos da Cedae no Banco Digimais ocorreu durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro, período em que outro órgão estadual, o RioPrevidência, também realizou investimentos no Banco Master. A complexidade do cenário levanta questões sobre a gestão de ativos públicos e a supervisão de instituições financeiras no estado.

Abertura da Investigação pelo TCE-RJ

A iniciativa para a investigação partiu do conselheiro José Gomes Graciosa, que em novembro de 2025 solicitou a abertura de uma inspeção especial para analisar a aplicação dos recursos. Embora a solicitação tenha sido feita, o processo ainda se encontra na presidência do Tribunal, aguardando a fase de recepção de documentos para prosseguir com as apurações.

O TCE-RJ, como órgão fiscalizador das contas públicas, busca compreender os critérios e a legalidade por trás do investimento da Cedae. A companhia, embora tenha tido seus serviços de água e esgoto privatizados no Rio de Janeiro, mantém sua responsabilidade pela captação e tratamento da água, permanecendo vinculada ao governo do estado.

O Banco Digimais e as Suspeitas da Polícia Federal

No mercado financeiro, o Banco Digimais já era conhecido por apresentar um risco de insolvência, situação que, segundo informações, era similar à do Banco Master. A instituição atraía investidores com a promessa de altas taxas de retorno, um fator que agora está sob o escrutínio das autoridades.

A Polícia Federal concentra sua investigação na suspeita de manipulação de resultados contábeis. A PF apura se houve um esquema para ocultar a real situação econômico-financeira do banco, o que configuraria um crime contra o sistema financeiro. O bispo Edir Macedo é apontado como proprietário do Banco Digimais, o que adiciona uma camada de notoriedade ao caso.

O Aporte da Cedae e a Defesa do Ex-Diretor

O responsável direto pelo aporte de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais foi Antônio Carlos dos Santos, então diretor financeiro da companhia e figura ligada ao ex-governador Cláudio Castro. Santos confirmou o investimento em um produto financeiro denominado DPGE (Depósito a Prazo com Garantia Especial), que possui um prazo determinado para o retorno do valor aplicado.

Em sua defesa, o ex-diretor financeiro argumentou que a aplicação de ativos para atingir resultados financeiros faz parte do plano de negócios da Cedae. Ele também assegurou que não havia risco de perda do dinheiro, uma vez que esta modalidade de investimento é coberta pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma entidade que protege os depósitos e investimentos em caso de intervenção ou liquidação de instituições financeiras.

Segundo Antônio Carlos, R$ 50 milhões dos R$ 90 milhões aportados já haviam retornado aos cofres da Cedae ainda durante sua gestão. Ele afirmou que os R$ 40 milhões restantes estão totalmente cobertos pelo FGC. Apesar do conhecimento sobre a situação difícil do Banco Digimais, o ex-diretor alegou não ter recebido nenhum alerta de órgãos de controle sobre a aplicação.

A Nova Postura da Cedae e Recomposição de Ativos

Diante do cenário, a atual administração da Cedae informou ter implementado mudanças significativas em sua Política de Aplicações Financeiras. A nova diretriz foi aprovada em 19 de maio pelo Conselho de Administração da companhia, visando maior segurança e transparência nos investimentos.

Ainda há R$ 17 milhões em investimentos no Banco Digimais, com vencimento previsto para esta quarta-feira, 24 de junho. A Cedae garantiu que esses valores serão realocados em bancos do segmento S1, uma classificação do Banco Central que engloba as principais instituições financeiras do país, conhecidas por oferecerem menores riscos aos investidores. Para mais informações sobre operações da Polícia Federal, visite o G1.

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