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Operação desvenda codinome ‘Barba’ e repasses de R$ 4 milhões a ex-presidente da Alerj

Uma investigação em curso revelou detalhes sobre supostos pagamentos milionários envolvendo o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Documentos apreendidos durante a Operação Unha e Carne indicam que Bacellar era identificado pelo codinome “Barba” em planilhas do grupo criminoso, que registrava políticos como “clientes”.

As apurações apontam que os valores, que somam quase R$ 4 milhões, teriam sido entregues em espécie, evidenciando um complexo esquema de contravenção e corrupção. A Polícia Federal, em sua 5ª fase da Operação Unha e Carne, continua a desarticular a rede, com mandados de prisão e busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O esquema dos “clientes” e o codinome “Barba”

As planilhas apreendidas com o grupo de Adilsinho detalhavam uma intrincada rede de pagamentos. Nesses registros, políticos supostamente envolvidos eram categorizados como “clientes”, uma terminologia que sugere a regularidade e a natureza transacional dos repasses. Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, era identificado pelo codinome “Barba”, conforme as investigações.

O uso de codinomes e a categorização dos beneficiários como “clientes” são elementos que, segundo as autoridades, indicam a sofisticação da organização criminosa em ocultar as transações e os envolvidos. Este método de registro era utilizado tanto para pagamentos em espécie quanto para aqueles realizados via transferências ou depósitos bancários, embora os repasses a “Barba” teriam sido exclusivamente em dinheiro vivo.

Detalhes dos supostos repasses em espécie

Os registros da investigação apontam para três pagamentos significativos que teriam sido feitos a Rodrigo Bacellar. Os valores, sempre em espécie, totalizam quase R$ 4 milhões e foram realizados em meses distintos, sem a especificação do ano. Estes depósitos são cruciais para a compreensão da extensão do suposto esquema.

  • R$ 2 milhões, em julho;
  • R$ 925 mil, em agosto;
  • R$ 1 milhão, em setembro.

A natureza dos pagamentos em dinheiro dificulta o rastreamento e reforça a suspeita de uma operação clandestina, projetada para evitar a fiscalização dos órgãos de controle. A soma expressiva dos valores levanta questionamentos sobre a origem e o propósito desses repasses no contexto da atuação política.

Desdobramentos da Operação Unha e Carne

A 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal, resultou em diversas ações, incluindo a prisão do pastor Márcio Poncio. Adilsinho e Rodrigo Bacellar, que já estavam sob custódia, foram alvo de novos mandados, com a determinação de transferência de Bacellar do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal. Adilsinho está preso desde fevereiro e é apontado como o “capo da Máfia do Cigarro” no Rio de Janeiro.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu os mandados de prisão, busca e apreensão, além de determinar o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões. Entre os alvos da operação, também figurou o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, ampliando o escopo da investigação sobre a influência da contravenção.

O alcance da Máfia do Cigarro no Rio de Janeiro

A organização criminosa liderada por Adilsinho, conhecida como a Máfia do Cigarro, demonstrava um controle significativo sobre o comércio ilegal de cigarros no estado do Rio de Janeiro. Conforme apurado em 2024, a máfia controlava ao menos 45 dos 92 municípios fluminenses, onde apenas os produtos fabricados pela quadrilha podiam ser comercializados. Essa hegemonia no mercado ilegal gerava lucros vultosos, que, segundo as investigações, eram usados para corromper agentes públicos.

As listas de políticos, que incluíam o nome do ex-governador Cláudio Castro (PL), foram descobertas pela PF em novembro de 2022, durante a Operação Smoke Free. Os documentos estavam em uma mala de couro, na cabeceira da cama de Adilsinho, e continham, segundo apuração da TV Globo, pelo menos 25 nomes. Essas descobertas são fundamentais para desvendar a extensão da influência da contravenção na política local. Para mais informações sobre operações policiais, acesse g1.globo.com.

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