Um seminário dedicado à educação reuniu profissionais para discutir e compartilhar experiências em práticas pedagógicas. O evento teve como foco a valorização da memória e do pertencimento dos alunos em seu ambiente, utilizando abordagens inovadoras no ensino de Arte. A iniciativa buscou fortalecer a conexão dos estudantes com o território onde vivem, promovendo uma educação mais engajada e significativa.
A programação integrou a 2ª Mostra de Arte Municipal, oferecendo aos professores um espaço para aprofundar o debate sobre as metodologias aplicadas em sala de aula. A proposta central foi refletir sobre como a arte pode ser uma ferramenta poderosa para construir identidades e estimular a expressão individual e coletiva, partindo das vivências dos próprios alunos.
Mesa de Partilha e Confluência: Arte, Educação e Identidade
A atividade principal do seminário foi a “Mesa de Partilha e Confluência – História de Casas e Quintais”. Neste segmento, foram apresentados trabalhos de pesquisa artística e didática que exploraram a intersecção entre arte, educação e identidade no processo de aprendizagem. Esta abordagem foi inspirada por uma formação anterior de professores, que abordou o pensamento do líder quilombola e filósofo Nego Bispo, incentivando uma visão mais contextualizada e culturalmente relevante do ensino.
O encontro foi conduzido por uma supervisora de ensino de Arte e contou com a participação de diversos profissionais da área pedagógica. Entre os presentes estavam diretores e supervisores de núcleos de projetos e relações étnico-raciais, além de educadoras que contribuíram com suas experiências e pesquisas.
Experiências Docentes que Conectam Memória e Território
Diversos professores apresentaram projetos desenvolvidos em suas escolas, demonstrando a aplicação prática dos conceitos discutidos. Uma professora de Arte da Escola Professora Mércia Amaral Andrade de Brito compartilhou sua pesquisa sobre “Os quintais da educação infantil: o que aprendi como professora da primeira infância”. Ela detalhou o uso de pigmentos naturais extraídos de plantas, legumes e sementes, convidando as crianças a explorar e conhecer o quintal da escola como um laboratório de aprendizado.
Outra educadora, da Escola Municipal Ana Rita Gomes, abordou o tema “Entre flores ela respira”. Seu trabalho refletiu sobre a memória das mulheres de sua família como artesãs e a importância desse conhecimento em sua formação. A partir de uma fotografia de sua mãe, a professora criou um bordado livre, explorando a técnica e o processo criativo permeado por afeto e pela valorização das histórias familiares.
Uma terceira proposta, desenvolvida por uma professora da Escola Municipal Augustinha Raphaela Maida Molteni, apresentou o tema “Casas, sentimentos e afins”. O projeto envolveu estudantes do 5º ano em discussões sobre o significado da casa como um lugar afetivo. A atividade estimulou a expressão de sentimentos, memórias e vivências dos alunos por meio da linguagem oral, escrita e artística. Além disso, uma fotógrafa convidada compartilhou sua pesquisa com fitotipia, explorando elementos do cotidiano em seu quintal.
Cultura e Arte no Encerramento do Evento
O seminário foi enriquecido com diversas apresentações culturais, que complementaram as discussões pedagógicas. Houve uma performance de violão com a peça Prelúdio nº 1 de Villa Lobos, uma apresentação de dança do ventre e um espetáculo intitulado “Os sons que habitam a memória”, apresentado por um grupo artístico. O projeto “Sons, Movimentos e Vozes: Caminhos para o futuro” também foi destaque, sob a condução de um maestro e com a participação de crianças de uma escola municipal.
Essas manifestações artísticas reforçaram a importância da cultura como parte integrante do processo educativo, proporcionando momentos de apreciação e inspiração para todos os participantes. A integração de diferentes linguagens artísticas sublinhou a riqueza das possibilidades pedagógicas.
A Mostra de Arte Municipal e o Legado Pedagógico
O seminário fez parte da 2ª Mostra de Arte Municipal, uma exposição que apresenta trabalhos de estudantes e adultos, incluindo professores e artistas convidados. A mostra, que esteve em cartaz por um período, exibiu diversas obras como gravuras, esculturas e pinturas, destacando a produção artística local e o talento dos envolvidos. Para mais informações sobre iniciativas educacionais e culturais, pode-se consultar o Ministério da Educação.
O evento foi considerado um espaço fundamental de escuta e valorização das experiências construídas diariamente pelos educadores. A circulação desses conhecimentos inspira novos projetos e fortalece o trabalho realizado em toda a rede. A arte amplia repertórios, estimula a criatividade e permite que os alunos compreendam melhor suas próprias histórias, seus territórios e as diferentes formas de expressão, contribuindo para uma educação mais sensível, participativa e conectada com a realidade escolar.

