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Visto de embaixadora brasileira nos EUA é revogado em meio a tensões diplomáticas

O governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em 4 de agosto. A decisão, que repercutiu amplamente na imprensa internacional, marca um ponto de escalada nas tensões diplomáticas entre Washington e Brasília, com veículos como Associated Press, Reuters e CNN Internacional destacando a natureza recíproca da medida.

A ação do Departamento de Estado americano foi justificada como uma resposta direta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático, conhecido como agrément, para a nomeação de Daniel Perez como embaixador dos EUA no Brasil. Este movimento sublinha a crescente fricção entre os dois países, que já vinham enfrentando divergências em diversas frentes.

Revogação de visto: o princípio da reciprocidade em ação

A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti foi confirmada pelo Departamento de Estado dos EUA, que enfatizou o princípio da reciprocidade como a “palavra-chave” por trás da decisão. Embora a medida retire a validade do visto da diplomata, o governo americano esclareceu que não se trata de uma expulsão do país. Ela poderá permanecer em território americano, mas sem um documento válido, que, segundo fontes, poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o agrément a Daniel Perez. A imprensa internacional, como a Reuters, acompanhou de perto os desdobramentos desta situação.

Esta ação recíproca segue um episódio anterior, ocorrido 10 dias antes, quando o Itamaraty negou vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado, Riley M. Barnes e Samuel Samson. Ambos estavam programados para viajar ao Brasil para discutir temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão, em um contexto de reportagens que os associavam a uma estratégia para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Um porta-voz do Departamento de Estado negou qualquer intenção de interferência nas eleições.

O impasse na nomeação de Daniel Perez para a embaixada

No centro da recente crise diplomática está a figura de Daniel Perez, indicado pela Casa Branca em 1º de junho para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Perez, de 38 anos, é presidente da Câmara dos Deputados da Flórida e membro do Partido Republicano, alinhado às políticas do ex-presidente Trump. Sua nomeação já recebeu o aval de uma comissão do Senado americano, mas aguarda a aprovação do plenário da Casa.

A tradição diplomática exige que o país anfitrião conceda o agrément, uma autorização formal, antes que um embaixador possa assumir seu posto. O Departamento de Estado americano alega que o Brasil tem sinalizado que essa autorização só será concedida após as eleições presidenciais de outubro. Essa demora é vista por Washington como um entrave ao trabalho diplomático e uma violação do princípio de reciprocidade, levando à retaliação contra a embaixadora brasileira.

Relações Brasil-EUA: um histórico de tensões e divergências

As relações entre Brasil e Estados Unidos têm sido marcadas por uma série de tensões desde julho do ano passado, quando o ex-presidente Donald Trump impôs tarifas sobre produtos brasileiros importados. Na ocasião, Trump justificou a medida como uma resposta à “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, indicando uma inclinação política nas decisões comerciais.

Apesar de negociações terem aliviado algumas tensões e sanções no final de 2025, e de encontros entre Lula e Trump em maio terem gerado elogios mútuos, a relação voltou a se deteriorar rapidamente. No final de maio, os EUA classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Semanas depois, novas tarifas foram anunciadas, incluindo uma taxa de 25% em 22 de julho, sob a alegação de práticas comerciais brasileiras que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, citando o sistema PIX e a regulação de plataformas digitais.

Dois dias após essa medida, outra tarifa de 12,5% foi imposta, desta vez contra o Brasil e dezenas de outros países, sob a justificativa de falta de combate ao trabalho forçado. Esses eventos, somados ao impasse diplomático em torno dos vistos, ilustram um período de alta complexidade e atrito nas relações bilaterais, com o Departamento de Estado americano não descartando a possibilidade de outras medidas caso o equilíbrio não seja restabelecido. O Itamaraty, até a última atualização da reportagem original, não havia emitido um posicionamento oficial sobre a revogação do visto.

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