A paralisação dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entrou em seu segundo dia, gerando significativos transtornos para os passageiros do Alto Tietê. Moradores que dependem das linhas 11-Coral e 12-Safira voltaram a enfrentar longas filas e alterações em seus trajetos habituais, impactando diretamente a rotina de deslocamento na região metropolitana.
A greve, iniciada na terça-feira, tem como pano de fundo as reivindicações da categoria em relação ao processo de concessão de linhas, trazendo à tona discussões sobre a manutenção de empregos e a qualidade do serviço de transporte público. A situação exige adaptação por parte dos usuários e mobiliza esforços para minimizar os impactos na mobilidade urbana.
Desafios diários para passageiros e o sistema Paese
No município de Poá, a manhã do segundo dia de greve foi marcada por cenas de passageiros em busca de alternativas para chegar ao trabalho. Filas extensas se formaram para o embarque nos ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), um sistema acionado para mitigar os efeitos da paralisação.
Por volta das 7h30, a passagem subterrânea próxima à estação da CPTM de Poá concentrava grande número de pessoas. Apesar da frequência de ônibus, que passavam a cada poucos minutos, a demanda era tão alta que os coletivos já partiam lotados, tanto no sentido de Guianases, na Zona Leste de São Paulo, quanto em direção à estação Estudantes, em Mogi das Cruzes. A superlotação persistiu mesmo com a diminuição do movimento de passageiros por volta das 8h15.
Um autônomo, que chegou à estação de Poá por volta das 6h20, relatou o prejuízo do dia anterior e a dificuldade de acesso a informações claras sobre as opções de transporte. A falta de orientação adequada agrava a situação dos trabalhadores que dependem do transporte público para suas atividades diárias.
Descumprimento de decisão judicial e plano de contingência da CPTM
A CPTM informou que o segundo dia da greve foi marcado pelo descumprimento da decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Segundo a companhia, apenas uma pequena parcela dos maquinistas necessários para a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade compareceu ao trabalho na manhã da quarta-feira.
O número de profissionais em serviço representou menos de 3% do total exigido para a operação regular, e o efetivo total nas três linhas, no horário de pico das 7h, ficou em 47%, percentual abaixo dos 80% determinados pela Justiça. Diante do cenário, a CPTM acionou seu plano de contingência, mobilizando supervisores para assumir a condução das composições e tentar garantir alguma oferta de transporte aos usuários. A decisão judicial prevê multa diária ao sindicato em caso de descumprimento.
Reivindicações sindicais e o debate sobre a concessão das linhas
A paralisação foi deflagrada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, que se posiciona contra o processo de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Essas linhas, juntamente com o Expresso Aeroporto, haviam sido retomadas temporariamente pela CPTM após a saída de uma concessionária anterior.
As principais reivindicações da categoria incluem a reestatização definitiva das linhas em questão, a garantia de todos os empregos na CPTM e o apoio à aprovação de um Projeto de Lei (PL) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Este PL visa assegurar a absorção dos funcionários da estatal por órgãos da administração pública estadual em cenários de concessão, buscando proteger os cerca de 4.700 empregados da CPTM.
Linhas e estações impactadas pela greve no Alto Tietê
A greve CPTM afeta diretamente a mobilidade em diversas cidades do Alto Tietê. A Linha 11-Coral, uma das mais movimentadas, atende estações importantes como Estudantes, Mogi das Cruzes, Brás Cubas e Jundiapeba, em Mogi das Cruzes; Suzano, em Suzano; Poá e Calmon Viana, em Poá; e Antonio Gianetti Neto e Ferraz de Vasconcelos, em Ferraz de Vasconcelos.
Já a Linha 12-Safira impacta os passageiros de Calmon Viana, em Poá, e Aracaré, Itaquaquecetuba e Engenheiro Manoel Feio, em Itaquaquecetuba. A paralisação dessas linhas essenciais força milhares de pessoas a buscar alternativas de transporte, sobrecarregando outros modais e prolongando o tempo de deslocamento. Para mais informações sobre o transporte público na região, consulte fontes oficiais como a Secretaria de Transportes Metropolitanos.

