O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, concedeu neste sábado (29) uma entrevista à Globo, onde apresentou suas principais propostas e visões para o futuro do país. Durante a conversa, Cury abordou temas cruciais como a redução da dívida pública, a reforma ministerial e seu posicionamento em relação ao arcabouço fiscal, oferecendo um panorama de suas estratégias caso seja eleito.
A entrevista faz parte de uma série de encontros com os candidatos à Presidência, proporcionando aos eleitores uma oportunidade de conhecer mais a fundo as plataformas dos postulantes ao Palácio do Planalto. Cury enfatizou a necessidade de medidas inovadoras para enfrentar os desafios econômicos e sociais do Brasil.
Cury aborda estratégias para reduzir a dívida pública e taxar bets
Uma das propostas centrais de Augusto Cury para a economia brasileira foca na redução da dívida pública, que ele classificou como em “números estratosféricos”. O candidato defendeu a taxação de empresas de apostas, as chamadas bets, como uma medida para diminuir o endividamento do país em até 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Cury argumentou que a alíquota atual de 12% paga pelas bets é desproporcionalmente baixa em comparação com outros setores, como alimentos (18%) e energia elétrica (30% a 33%). Ele sugeriu uma taxação de pelo menos 50%, o que, segundo suas projeções, geraria uma economia substancial para o governo.
Além da taxação das bets, o candidato do Avante citou outras estratégias para fortalecer a economia. Entre elas, destacam-se o financiamento de 10 milhões de microempresas para ampliar a base de pagamento de impostos, a realização de uma auditoria rigorosa na gestão pública, a revisão de 50 mil cargos comissionados e a reavaliação de contratos públicos como forma de combater a corrupção.
Plano de governo prevê cortes e criação de novos ministérios
Questionado sobre seus planos para a estrutura governamental, Augusto Cury confirmou a intenção de extinguir entre oito e dez ministérios para reduzir despesas. Embora não tenha detalhado quais pastas seriam cortadas, ele afirmou que uma “análise criteriosa” seria realizada para definir os alvos.
Em contrapartida aos cortes, Cury defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública, visando uma abordagem mais integrada e eficaz para o combate à criminalidade. Ele também propôs a instituição de uma secretaria executiva de Inteligência Artificial e Robótica, alertando para o risco de o Brasil ser “atropelado” pela tecnologia e enfrentar “dezenas de milhões de desempregados” se não investir urgentemente nessas áreas.
Candidato Augusto Cury e o debate sobre o arcabouço fiscal
No que diz respeito ao arcabouço fiscal, Augusto Cury manteve cautela, afirmando que ainda estudava eventuais mudanças nas regras e evitando antecipar propostas concretas. Ele considerou “eleitoreiro” prometer alterações antes da conclusão de estudos aprofundados, reforçando seu compromisso com a responsabilidade fiscal como condição essencial para a redução da taxa Selic.
Cury reiterou que suas principais medidas para ampliar receitas e reduzir despesas passariam pelo aumento da tributação das bets e pela digitalização da máquina pública, com a utilização de inteligência artificial e sem novas contratações. O candidato estimou que essas ações poderiam gerar entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões em recursos.
Quem é Augusto Cury: trajetória e visão política
Nascido em Colina (SP) em 1958, Augusto Cury é médico formado pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e possui doutorado internacional em Psicologia Multifocal pela Florida Christian University. Sua carreira tem sido dedicada à pesquisa das dinâmicas da emoção, tornando-o um renomado professor de pós-graduação e conferencista em congressos nacionais e internacionais.
Reconhecido como um dos autores mais lidos da última década no Brasil, Cury é autor de “O Vendedor de Sonhos”, livro que recebeu o prêmio de melhor ficção do ano de 2009 da Academia Chinesa de Literatura e foi adaptado para o cinema. Sua plataforma política reflete sua experiência e preocupações, com propostas que abrangem desde a gestão econômica até a inclusão social e a educação.
Entre as principais propostas registradas em seu plano de governo junto ao Tribunal Superior Eleitoral, destacam-se a busca por um déficit público próximo de zero, a adoção do semipresidencialismo, o estabelecimento de mandato de oito anos para ministros do STF, e o incentivo à criação de 10 milhões de novos empreendedores. Ele também propõe a ampliação da educação em tempo integral com gestão da emoção, a criação de uma política nacional de inclusão de alunos neurodivergentes, o combate ao feminicídio, a regularização de moradias em favelas, o impulsionamento da produção no semiárido, a criação de polos de comércio em rodovias, a atração de agroindústrias, a expansão do cooperativismo, a transformação de embaixadas em polos de negócios, a expansão da telemedicina no SUS e a criação de forças municipais de prevenção na segurança pública.
Contexto das entrevistas presidenciais na Globo
A entrevista com Augusto Cury foi a sexta de uma série promovida pela Globo com os candidatos à Presidência da República. A iniciativa teve início na segunda-feira (24) com Romeu Zema (Novo), seguido por Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), e Lula (PT), que concedeu entrevista em dois dias consecutivos. Os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto foram convidados, e a ordem das entrevistas foi definida por sorteio.
Uma novidade nesta eleição é que as entrevistas da Globo com os candidatos ao Palácio do Planalto estão sendo exibidas após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal, como era tradição. Após a exibição na televisão, o conteúdo integral da entrevista fica disponível para acesso no g1 e no Globoplay, permitindo que os eleitores revisitem as propostas e declarações dos candidatos.
